cronista urbano 3.0

música, cinema, livros e o cotidiano.

A viseira e o sistema

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Defenda seus argumentos, explane sobre a lógica do processo pela visão operária e seja comparado aos muares. Como recomendação urgente, tome um Kuat para abrir sua cabeça e, assim, abandone sua viseira à la burro de carga que lhe impede de produzir plenamente. Afinal, lhe chamaram para ser um bom ouvinte, sem essa de questionar como a banda toca ou reclamar por uma nota errada na última música.

Não, isso não foi dito para mim. A começar pelo fato de que viseiras são usadas pelos banhistas na praia, pelos contadores de coletinhos e crupiês de alguns cassinos. Os antolhos (nome real do acessório), mais usado por cavalos do que por jumentos e mulas, não fazem parte do meu kit. Nem real, nem metafórico. Por que você não viu isso antes?

Quando o estresse está caótico, é favor não piorá-lo.

P.S.: É sempre doce o gosto da vitória, ainda que tardia.

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O Sistema (Episódio II): Pt. 01 / Pt. 02 / Pt. 03 / Pt. 04

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Os tipões que pintam por lá (II)

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Depois de um tempo de casa, não só os procedimentos ficam mais claros como também as manhas argumentativas de muita gente mudam. Isso é fato na rotina de quem se dispõe a mexer com o atendimento, ainda que virtual, da clientela de uma grande empresa. Todavia, o mais engraçado é como existem algumas figuras carimbadas que dão o ar de suas graças no 10315.

Um sujeito de Lorena (SP) – que, por razões óbvias, não citarei seu nome – é figura conhecida de todos. Quem o atende sempre encontra duas ou três solicitações por semana em seu histórico, já que o mesmo liga pela manhã pedindo algo só para ter o prazer de retornar à tarde e cancelar o serviço. No meu caso, o mesmo liga chorando e diz que ele e sua mãe ganham R$ 350 por mês. Por conta disso, não conseguirão pagar um acordo de dívida fechado em 04 parcelas de uns 120 reais. Depois que despejei todo o protocolo com o mesmo, ele questiona se não tenho coração e dá a cartada final: coloca sua mãe, que já chorava aos berros no fundo, para assumir a ligação. Após meia-hora tentando me dobrar, a ilustre senhora me abençoa com a paz do Senhor e dedica a leitura do Salmo 23 para iluminar não só os meus caminhos, como também as vidas dos donos da empresa. É mole?!

Outros casos envolvem velhas senhoras que, imagino eu, devem refestelar-se na cama como a pin-up da foto antes de me ligarem. Com voz rouca e impostação supostamente sensual, elogiam a força vocal e falam abertamente sobre o que estão imaginando sobre o dono da voz que lhes fala. Pedem encarecidamente que o teleoperador não as abandone na ‘musiquinha’, pois querem sentir-se mais próximas de quem as atende. Entretanto, para o azar de algumas, as normas da empresa ferem tão abruptamente seus corações que o que sobra de toda aquela sedução são palavrões e agressividade. E nem nos deixam dizer que a empresa agradece a ligação, de tão temperamentais.

Por mais que nos cobrem pelo enorme tempo gasto com esses atendimentos, não há como não rir com as coroas sedutoras e os caipiras doidões que lá aparecem. Quebram a rotina, aliviam o estresse e ainda rendem ótimas risadas!

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CD-PLAYER: Se a onda é falar mal do ‘mais do mesmo’ de Our Love To Admire, o novo do Interpol, serei mais um a surfá-la. Tanto alarde para só isso?

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Diary battle

Dores de cabeça com direito a têmporas pulsantes. A visão embaçada faz com que números como 0, 6, 8 e 9 se misturem e um quadrilátero branco fique preso na retina – mesmo com diversas piscadas de olhos. Um estágio intermediário de aversão por microcomputadores, estimulado por insistentes dores nos pulsos, chega juntamente de mais alguns detalhes. Com tantas gotas somadas no copo, ocorreu o primeiro transbordamento.

Não me faltam assuntos, mas sobram indisposições. Assim, não estranhem a intermitência desse site, pois ela tem uma razão. Enquanto isso, algumas modificações na velha cara do site, com uma frase da Lispector perfeita para a fase atual – um roubo declarado do blog da Emily.

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Batalhas, biritas e canções

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No front – Por necessidade ou falta de opção momentânea, os guerreiros seguem. Resguardados pelo escudo dos microcomputadores, posicionam as lanças de seus headsets e os dígitos de seus teclados para, ponto por ponto, palavra por palavra, extraírem resultados de cada um dos seus contatos telefônicos.

Mas até quando as pressões das batalhas preservarão a sua sanidade mental e física? Até quando os procedimentos de Esparta entrarão em choque com as necessidades e idiossincrasias dos paulistanos? E até quando essa rotina de represa, condensando desejos e sentimentos ao máximo durante os combates, preservará os circuitos do soldado?

A contenção da maré clientela é árdua.

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Só na cana - Com vozeirão e arranjos de música negra, o som de Amy Winehouse (acima) enganaria fácil os mais acostumados com CD-R’s, sem encartes ou maiores detalhes. Porém, a foto acima é a maior prova de que Amy é mais uma entusiasta do som Motown e até mesmo das batidas de hip-hop, só que dona de um estilo bem peculiar.

Seu jeitão inovador vem das histórias de bêbada desbocada e rebelde que relata em suas canções, com a vantagem de que a vida pessoal não detona a qualidade da obra. Por mais que ela cancele alguns shows por estar chapada, ou que ela vomite no palco, tropece e quebre um dente nesse processo, tudo faz parte de seu rock’n'roll style adaptado ao seu som negro. E esse jeito de ser consolidou-se após sua fuga do jazz do primeiro álbum, Frank, quando ela embarcou de vez no som melancólico e até autodestrutivo das divas do jazz e do soul.

Em Rehab, ela declara seu amor pela birita e escapa ligeira do AA e das clínicas. As outras letras falam de amores mal-correspondidos, decepções e (por que não?) mais álcool para anestesiar o processo. O resumo é uma produção com ares vintage, mas com respingos do modo Timbaland de produção – mesmo que ele nem tenha passado perto do set de Amy – e, na primeira audição, uma leve sensação de que aquela mocinha do Fugees inspirou a inglesa. Sorte que, de encarte na mão, as letras, fotos e repetições de suas músicas conseguem provar que a garota da Casa do Vinho é mais do que cópia.

Em tempos de pimps e promiscuous girls, é uma beleza ouvir uma branquela ressuscitando sons negros antigos com uma temática bem própria. Prova que, mais do que contar vantagens, há quem queira contar como vê o mundo. E aí, quer ouví-la?

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Força da palavra

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Depois de um treinamento específico para a minha função, a reflexão sobre a força das palavras não sai da minha cabeça. A entonação da voz e a positividade do discurso mesclam uma boa locução e a eliminação de “não”, “problema”, “defeito”, “complicado” e outras palavras negativas do vocabulário. Assim, mesmo que não imaginasse tudo exatamente dessa forma, o exercício do telemarketing tem uma relação muito próxima com a minha área de formação.

Na prática, o trabalho nessa multinacional é regido pelos princípios do Capitalismo. Assim, é lógico que as cobranças por vendas, lucros e resultados diversos é altíssima – até mais do que o suportável em comparação com outros meios. Entretanto, é interessante o contato com o público, mesmo sem olhá-lo diretamente, e a percepção de suas peculiaridades que acontece diariamente.

Na literatura, é grande o número de escritores celebrizados pela sinceridade de sua prosa e pela liberdade com que a conduzem. Já no Jornalismo, é cada vez mais forte a corrente que prega uma mistura de liberdade com denúncias de tudo o que parecer de interesse público (mesmo que, de fato, não o seja). No rádio, obviamente, a voz do locutor anima os(as) ouvintes e os conecta com o mundo. Assim, com algumas semelhanças com o mercado de Comunicação, uma central de relacionamento telefônico pode mostrar suas flexibilidades e contemporaneidades, ainda que muitos de seus passos sejam irritantes de tão calculados. Quanto a isso, os mais otimistas crêem numa queda dessas paredes de formalidade, mesmo que não saibam ao certo a real eficiência de um modo mais informal de comunicar-se.

Quem sabe essas respostas? Quem sabe ao certo a verdadeira relação entre Comunicação e Telemarketing? Quem acredita que frases prontas e procedimentos padrão um dia serão eliminados ou atenuados? E quem sabe ao certo se todas essas reflexões não passam de devaneios? Nem o papel, nem a caneta e muito menos minha coleção de rascunhos envolvidos no meu amontoado de materiais de trabalho sabem.

Minhas palavras perderam suas forças?

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Os tipões que pintam por lá (I)

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Até o presente momento, a operação em telemarketing não mostrou seu jeitão interno. Com pouco tempo de casa, muitos dos procedimentos padrão da empresa ainda não nos são cobrados. Mas, ainda assim, as piores situações continuam sendo aquelas que já nos são cobradas. Tratam-se dos processos de fidelização do cliente, ou seja, o atendimento que só falta viajar pelos fios e pegá-lo no colo de tão solícito.

Ah! Mas é difícil demais.

Durante a tarde, encontro campeões de vários quesitos. Há aqueles que não compreendem o que você explica e te levam a questionar sua profissão: teleoperador ou professor? Ou então há aqueles que só ligam por serem titulares da linha telefônica, mas não sabem ao certo o que a esposa ou filhos pediram para a mesma e, minutos mais tarde, quase demonstram analfabetismo crônico. Afinal, há necessidade de chamar a esposa apenas para anotar uma numeração de protocolo? Isso sem falar naqueles que vêem propagandas pela tevê mas, na hora de ligar, exigem que nós tenhamos uma espécie de YouTube interno para vermos o vídeo no exato momento em que conversamos…

Bem que me disseram que a relação com o público é difícil. Com os contatos que estabeleci com o Jornalismo e também no trabalho no comércio, acreditava que estava preparado para todos os tipos de situação. Porém, apenas com a minha voz como fio condutor entre a empresa e o sujeito, a situação muda de figura. Mesmo sem o contato direto com a pessoa, é notório que o tom de voz e os vícios de linguagem denunciam os problemas ou alegrias que estão por vir. Esse pode ser o inferno ou o paraíso dentro desse período de 06 horas em que, com um fone no ouvido e uma cânula próxima da boca, quase todo o estado de São Paulo passa pelo meu balcão.

Moleza mesmo, só no ‘canto zen’.

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P.S.: Porno brothers - De tão clichê, nem vale falar sobre o circo armado em cima dos ex-BBB. Só restam as risadas depois de ler isso aqui e perceber que, boataria ou não, há cada vez mais pessoas torcendo por isso. Parece papo antigo, mas não é: o zum-zum-zum nos bastidores que o diga.

É para rir ou para chorar?

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CD-PLAYER: Sacando o estilo inovador dos Guillemots em Through The Windowpane. Quando entendê-los, eu comento.

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