
No front – Por necessidade ou falta de opção momentânea, os guerreiros seguem. Resguardados pelo escudo dos microcomputadores, posicionam as lanças de seus headsets e os dígitos de seus teclados para, ponto por ponto, palavra por palavra, extraírem resultados de cada um dos seus contatos telefônicos.
Mas até quando as pressões das batalhas preservarão a sua sanidade mental e física? Até quando os procedimentos de Esparta entrarão em choque com as necessidades e idiossincrasias dos paulistanos? E até quando essa rotina de represa, condensando desejos e sentimentos ao máximo durante os combates, preservará os circuitos do soldado?
A contenção da maré clientela é árdua.
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Só na cana - Com vozeirão e arranjos de música negra, o som de Amy Winehouse (acima) enganaria fácil os mais acostumados com CD-R’s, sem encartes ou maiores detalhes. Porém, a foto acima é a maior prova de que Amy é mais uma entusiasta do som Motown e até mesmo das batidas de hip-hop, só que dona de um estilo bem peculiar.
Seu jeitão inovador vem das histórias de bêbada desbocada e rebelde que relata em suas canções, com a vantagem de que a vida pessoal não detona a qualidade da obra. Por mais que ela cancele alguns shows por estar chapada, ou que ela vomite no palco, tropece e quebre um dente nesse processo, tudo faz parte de seu rock’n'roll style adaptado ao seu som negro. E esse jeito de ser consolidou-se após sua fuga do jazz do primeiro álbum, Frank, quando ela embarcou de vez no som melancólico e até autodestrutivo das divas do jazz e do soul.
Em Rehab, ela declara seu amor pela birita e escapa ligeira do AA e das clínicas. As outras letras falam de amores mal-correspondidos, decepções e (por que não?) mais álcool para anestesiar o processo. O resumo é uma produção com ares vintage, mas com respingos do modo Timbaland de produção – mesmo que ele nem tenha passado perto do set de Amy – e, na primeira audição, uma leve sensação de que aquela mocinha do Fugees inspirou a inglesa. Sorte que, de encarte na mão, as letras, fotos e repetições de suas músicas conseguem provar que a garota da Casa do Vinho é mais do que cópia.
Em tempos de pimps e promiscuous girls, é uma beleza ouvir uma branquela ressuscitando sons negros antigos com uma temática bem própria. Prova que, mais do que contar vantagens, há quem queira contar como vê o mundo. E aí, quer ouví-la?
