cronista urbano 3.0

música, cinema, livros e o cotidiano.

O que pode mudar

A falta de vontade de escrever aqui já é notória. Com o passar dos dias, filtrei a vontade de blogar e percebi que, na verdade, o que faltava era uma proposta diferente. Parar de escrever sobre o que já é publicado nos noticiários, ou pelo menos escrever sem tanta fidelidade aos originais. Depois, adequar o layout do blog às novas tendências, para tentar dar uma nova cara para velhos assuntos. Assim, depois de muito pensar e até mesmo propor uma enquete que ninguém respondeu, decidi fechar esse blog.

Quando o novo site ficar redondo, vou anunciá-lo aqui. Naquele post padrão, confirmando que essa casa fechou e migrou para tal lugar. Não será nada tão simplório como no Twitter, essa novidade que eu ainda não descobri a real utilidade. Também não será nada tão preocupado com os Creative Commons aí debaixo, já que estamos num fase em que os conteúdos publicados na rede realmente servem de base para outros materiais e, nesse desenvolvimento exponencial, nem todos ligam mesmo para esses papos de licenças e/ou concessões. Será algo mais próximo da minha, da sua, da nossa realidade.

Na minha vida pessoal, estou casado. Continuo baixando e ouvindo os mesmos discos de sempre, falando as mesmas besteiras, mas agora com uma companhia ainda mais próxima. No mais, aguardem as novidades por aqui.

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Bossa insone

O tempo tem sua medida exata. Consegue trazer a tão falada maturidade e nós, antagônicos, tentamos negá-la como animal medroso. Mas esse medo, se é que realmente estamos com medo, é de quê?

Uma suposta chegada do amargor grita nas madrugadas de domingo. O olhar perdido por uma janela aberta, vendo os pontos luminosos de uma cidade que, assim como você, tem seus insones. São poucos os que assumem o espelho silencioso, esse companheiro que sempre pede uma música incidental e nos chama aos nossos vícios, convidando até o mais sólido ao olhar sobre a decadência. É aí que um violão de nylon surge com seu compasso “puxado”, em volume quase imperceptível, e um desafinado murmura sem medo de acordar os vizinhos trabalhadores. Um drink quente pede o balançar do copo, da mesma forma que a segunda-feira pede a atenção que não veio nessa hora.

Por baixo do reflexo dos óculos, bolsas mostram tanto o pouco sono como o excessivo dormir. A profundidade do olhar, mesmo sem razão aparente, forma calos, cicatrizes, mas também escaldam o gato. Só que o gato, no fundo, sempre preferiu não ser escaldado, não ter o tal medo do frio. Seu medo foi imposto e, na luz do dia, seus companheiros o elogiam por isso. Mas, na noite, ele quer disfarçar-se nas roupas escuras, misturar-se na escuridão para que ninguém ouça seus gritos. Então fica mais urgente o retorno ao seu ninho, para que a madrugada fria se choque com o calor do lar e todas as suas mímicas noturnas o levem para a mesma reflexão, a mesma bossa insone até as seis da manhã.

Música: Morena (Los Hermanos)

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Lazy?

No frio, a preguiça é ditadora. Cobertores e TV’s são mais atraentes, banhos são melhores logo depois do almoço e não-fumantes também dão as suas baforadas. Filmes só se completam com uma comidinha do lado, e essas mesmas comidinhas só caem bem com algo quente para beber. No meio disso, há algum pique para escrever?

Se o Twitter não fosse tão “mala”, seus 140 caracteres até fariam a minha cabeça. Mas, no meio disso, há algum pique para escrever?

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Outono gripal

O outono disse que veio apenas pelo jornal. Aconteceu na idéia de quem, de tanto acompanhar calendários, insiste que tudo pode ser excepcional. Mania de jornalista, talvez. Mas jornalistas querem o novo, para depois quererem algo ainda mais novo e assim vai. Os clichês se amontoam pelo caminho, como trilhas de vacas incontinentes que são seguidas pelos (aparentemente) normais.

Nesse medo mundial, Michael Jackson profetizou as máscaras. O restante da população embarcou, aboliu o toque de mãos e botou a culpa nos porquitos mexicanos. Para os civis, sobram as piadinhas diante daquela gripe sacana que você nem acredita que se deixou levar. Se o outono era indeciso, algumas blusas à mão evitariam surpresas, dores corporais, nariz “fungão”, mau humor e ânimo ligeiramente contemplativo, não é verdade?

Por outro lado, essa contemplação é como uma câmera lenta. Aquele instante em que o tempo passa bem devagar, quando você vira a cabeça para trás enquanto corre ou está num carro em movimento. Nas janelas, as árvores e pessoas passam rápido. Na frente, os desafios tradicionais da vida contrastam com o orgulho daquele que tem uma retrospectiva favorável, bem construída para moldar o futuro. Essa reflexão, esse olhar para trás só vem quando se diminui o ritmo, quando o corpo pede calma. E, depois que respira, recoloca as marchas e toma o rumo novamente.

Vários outros afazeres sumiram da minha playlist, mas só irei citá-los depois da retomada. Agora “o tempo ruge”!

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Uma cachaça

Era uma sexta-feira de calor e já passavam das cinco da tarde. Ela não saía, nem avisava se faria extras ou qualquer outra coisa. O cansaço, a vontade de ir embora logo com ela, tudo se misturava e nada dela aparecer.

Pelos auto-falantes, Bezerra da Silva dizia que “cada maluco tem sua mania”. E foi exatamente nessa hora que um sujeito estranho surgiu, franzindo olhos e boca, querendo saber das minhas crenças. De pronto, já disse que acreditava em Deus, mas não me prendia nisso ou naquilo. Acredito, respeito, oro, não me prendo nas regras que os humanos ditam uns aos outros e respondi ao sujeito. Esperava que, com uma resposta dessas e minha inatividade para abaixar o som do carro, o pregador desse meia-volta e fosse amolar outro cristão. Porém, já que o sujeito realmente tem a cabeça enrolada, concentrou-se no papo místico e na ligação dele com o tio, alguém que “compreendia demais a sua adrenalina”. Se ele já tinha o tio, por que eu tinha que aturá-lo também?

Depois de muito bla-bla-blá, o maluco mostrou a que veio. Por não gostar de mentiras, foi direto ao ponto e me pediu R$ 1,00 para comprar uma pinga. “Há! Tá bom…” Encarei-o por dois ou três segundos, em silêncio, antes de soltar a interjeição ao lado. Então ele soltou que saiu há uma semana da “comunidade”, estava fingindo que tomava os remédios há dois dias e queria mesmo era uma cana brava. Franzi a testa, reforçando a cara de desconfiança, tentando advinhar qual era a real mania do homem.

Em seguida, já com o saco cheio, indaguei: “Se você me falou de Deus o tempo todo, por que vem com essa de fugir com cachaça?” Afinal, com toda aquela onda radical, ou era a religião ou o bar. Pensei que iria apanhar do doidão, mas ele agradeceu e foi abordar uma senhora na casa em frente, que saía para passear com o cachorro.

Até agora não sei se ele tomou um trago ou apenas conheceu toda a vizinhança. Mas todos o conheceram como o pregador na abstinência.

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Educando-se

“É no silêncio que se educa o talento, e na torrente do mundo o caráter”, disse Goethe.


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Dor de cabeça

Depois de asperezas, insinuações de sofrer querem induzir os externos de que sou o errado. Sempre foi assim, ano após ano. Mas antes os dias se faziam de belos, repletos da luz do sol que insistia em queimar como brasa antes da chuva chegar. Os dias se passaram, várias torrentes me molharam e hoje vejo que o sol também quer queimar em um outro tempo: o depois. Assim, a água de antes ferve, cozinha os sentimentos dos quais já não quero mais me livrar.

O que nos queima, infelizmente, sempre é a matéria. O “Ter” e a sua urgência lhe implantam a necessidade de parecer descolada, afirmando conhecimentos, experiências, situações. Será sua alma sempre querendo parecer ter mais vivência do que realmente tem? Descolada da realidade, da solidariedade inerente a certos laços humanos. Isso é o que acaba sendo, sobrepondo vozes, anulando audições e depois me cobrando o mostrar dos dentes.

Depois das constatações, dias de trégua já não são mais bem-vindos. Eles iludem; trazem a luz que também queima, simulam tempos bons e depois tudo é tempestade de novo. Quero a liberdade madura, o despertar para a realidade à qual pertenço. Teus vínculos existem, mas devem ser refeitos, repostos. Não vou lhe obrigar, pois essa não é minha vontade e tal ato não cabe a mim. Precisas, enfim, de um espelho em sua frente e, quem sabe, de hematomas na consciência. Porém, desisti dessa militância inútil para que sua consciência doa.

Agora, o cansaço. A desilusão, o grito preso, o olhar perdido com a música do Cartola ou a guitarra ecoando no rock indie-psicodélico. Mente cansada, dor de cabeça, saco cheio e vontade de mudança.

Som: Noche De Los MuertosEl Mató A Un Policía Motorizado / O Mundo É Um MoinhoCartola

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Novo “Departamento”

Visite o novo “Departamento” do blog, onde ficam as enquetes. Deixe logo aqui à direita o seu voto sobre os rumos desse site. É rápido, fácil e você já consegue acompanhar os resultados parciais.

Participe!

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Dias de férias

Quando eles chegam, ninguém acredita no quanto demoraram. Ah! Tantos foram os momentos em que tudo o que importava era quando eles chegariam, misturando ansiedade no meio da preguiça e, assim, consolidando a má-vontade momentânea. Todos já estavam atrasados, sem o charme da noiva prestes a casar e sem a pompa de estrela do rock. Isso irritava, desesperava, acumulava planos e desejos que só se concretizariam na chegada.

Aliás, essa chegada foi engraçada. Foi em alguma hora que o sono derrotou a minha espera madrugada adentro, só pode. Tudo acertado na sexta-feira, com o fim-de-semana passando com a mesma cara dos outros. Quando acordei na vistosa segunda-feira, eles já faziam algazarra com os pássaros e o cão na praça ensolarada, chamando implicitamente por mim. Então, o banho gelado e a caneca de café terminaram com minha sonolência, me lembrando de que aquele dia deixaria de ser mal-assombrado só pela presença deles.

Ontem à noite, eles partiram. Pediram algumas cópias dos CD-R’s que gravamos nesse período, para que a lembrança de mim lhes chegasse pelos ouvidos enquanto as paisagens passassem voando pela janela do carro. As lembranças das tardes ensolaradas agora querem se desprender das nossas peles, eu sei. Mas elas também simbolizam o abandono do jovem estressado de antes, ansioso por presenças e momentos diferentes dos que vivia, e a chegada de outro. Pena que esse leve desespero pela visita deles não segurou os ponteiros, para tornar os dias mais longos do que eles já estavam com o horário de Verão.

Antes, os sentimentos à la Slayer só abrandavam na cerveja, deixando o way of life como nas canções do Queens Of The Stone Age. Hoje, a leveza foi o que ficou, como numa mistura de climas dos discos do Little Joy e dos Fleet Foxes. Será saudade?

Depois de Março do ano que vem eles voltam.

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O esperto sempre ronda

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Doações – O pior não é a tragédia. Por mais que os conterrâneos, num primeiro momento, e depois o País inteiro se solidarize com os mortos, feridos, desaparecidos e desabrigados, o verdadeiro caos se estabelece quando os oportunistas resolvem captar doações para ajudá-los. Aí, leitor(a), as hienas resolvem faturar em cima do choro alheio.

Sim, observações como essas podem ser atacadas ferozmente por religiosos e outros supostos benfeitores. Por isso que, antes de qualquer movimento em sua carteira, lhe aconselho a rastrear o histórico da instituição que está captando a verba. Assim, você garante que sua ajuda não escoe pelo ralo e se misture no famoso e vasto inferno em que habitam as boas intenções, sem que nenhum catarinense compre sequer uma bala.

Por via das dúvidas, confie nos Bombeiros de sua cidade.

Fora, Azeredo! – Não é sem tempo. Se você adora a internet, não vive sem MP3, participa de diversos fóruns digitais e também gosta de publicar em seu blog, é claro que será contrário ao projeto de Lei do senador Eduardo Azeredo. A discussão já rola há um bom tempo no Orkut e outros fóruns da rede, logo, leia aqui e me poupe de requentar o requentado. O que vale mesmo é a lembrança para que você também assine contra o projeto e, se estiver disposto, traga suas idéias à tona.

Novos rumos – Voltei temporariamente ao estilo noticioso dos posts de antes para refrescar a cabeça. A idéia de novos nomes e propostas para um blog continua de pé, transitando entre a vertente do Canil (mais esporrento, livre e despreocupado) e de Macondo (mais literário, fantástico, com outros tipos de liberdades). Talvez nessa semana ainda feche o esquema.

Last.Fm – Kanye West, Mos Def, The Roots, Rappin’ Hood e Sabotage (em ordem decrescente nos últimos 07 dias). Rap também faz parte do meu show, a raça não nega.

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A preguiça e o mundo novo

A preguiça – Por vezes, sei que o melhor é que esse blog não seja mesmo divulgado, conhecido, hypado, etc. Assim, esse período de “saco cheio” passa mais leve, sem cobranças por impressões de tudo o que me cerca. Isso alivia a cabeça para reformular a estrutura do blog, pensando enfim em tirar da gaveta aqueles velhos textos de ficção/realidade que escrevi quando estava alterado, ou até mesmo compor um desses livros-blog que tanto falam por aí. Já falei disso no post anterior, quando amadurecia a idéia de um blog como um canil, condensando – mesmo que por alguns instantes – todos os cachorros que posso soltar nos textos, estejam eles bêbados, estressados, bem-humorados ou nenhum ânimo em especial. Só que, sinceramente, são tantas idéias que às vezes me dá preguiça de pensar.

Anteontem, fez um mês que a Clarah Averbuck encerrou o seu blog. No último post, foi simples e verdadeira nessa relação do blogueiro com o leitor, especificamente daqueles que lotam a caixa de e-mails como se esta fosse um SAC (não falemos em SAC, pois isso me lembra o meu callcenter e ainda estou de férias!). Aí eu penso: por que não aprendi a desenhar, ou então a tocar direito um instrumento? Se fosse habilidoso, o blog seria mais atrativo, sem possíveis reclamações ou órbitas em torno do meu próprio umbigo e a obra ganharia vida própria, como uma entidade misteriosa que sai dessa cabeça e faz com que as pessoas se emocionem enquanto observo de longe. Porém, prodígios não se encontram por aqui.

Enquanto isso, vamos ver se algum rumo positivo pinta nas idéias.

O mundo novo – Sempre lí sobre o Last.Fm, mas nunca tinha saco para baixar o software e abastecer o player de audições. Afinal, minha rotina sempre foi mais de baixar os sons, gravá-los no CD-R e colocá-los no carro. Afinal, é infinitamente melhor escutar as texturas sonoras nos graves ambulantes do que nessas caixinhas daqui. Porém, de uns dois meses para cá, graças ao estímulo de alguns amigos de MSN, esse programinha tornou-se um grande aliado, quase como um complemento do Orkut que rastreia nossos gostos musicais e solta na web. Aí aprendi a gostar dele, ouvindo mais o que baixo e até mesmo trocando umas idéias por lá.

Em resumo, o Last.Fm é realmente o que dizem: o “Orkut musical”. Identifica suas músicas ouvidas pelas tags ID3, monta um histórico e organiza uma biblioteca, listando os artistas que você ouve mais. Isso, além de um raio-X de você mesmo, ainda serve como pretexto para novos contatos virtuais – mais uma semelhança com o Orkut. Pode ser uma bobagem, mas até que é interessante.

Se quiser saber um pouco mais do que ouço, venha aqui. Aproveite e deixe uma mensagem, é de graça e garanto a sua resposta.

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Notas em suspenso

Aos meus leitores, algumas palavras de esclarecimento por esse quase-abandono.

Primeiramente, o exercicio da Supervisão de um callcenter ligado à maior operadora de telefonia fixa do Estado é algo bem maior do que se imagina. Vários procedimentos internos, um exercício contínuo das habilidades de comunicação e empatia, a pressão por resultados em tempo real praticamente dobrada… Enfim, isso resulta numa necessidade enorme de desestressar assim que coloco os pés para fora do recinto. Isso inclui o manuseio de computadores, que se restringiu às folhas de ponto – atualizadas via web por acesso remoto – e às MP3 de sempre.

Aproveitando esse desestresse, eu e minha esposa encontramos uma galera muito interessante ligada ao universo dos motoclubes. Assim, o rock’n'roll, a cerveja e a porra-louquice ganharam mais potência em minha vida, assim como a ótima amizade com esses novos companheiros. Logo, o tempo na vida real, fora de casa com o vento na cara, está me deixando mais boêmio do que eu esperava.

Mas não esqueci daqui. O fato é que a entressafra que vinha enfrentando culminou nessa declaração de férias, ao menos da rotina blogueira. Enquanto não volto, os arquivos daqui do WordPress são bem generosos por ainda me hospedarem em seu cache.

Valeu!

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Momentum

Temporariamente indisponível.

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Olhares

Três da manhã. O relógio ecoa na cozinha, várias pessoas saem e ecoam da tevê. Coloco todos no mudo e os ponteiros do relógio crescem, agigantam-se e parecem caminhar como elefantes pela casa. Se desvio a atenção, a rua ecoa carros desafiadores e seus pilotos bêbados e valentes. Minha calma e segurança em casa não me impedem de passeios noturnos, como um espectador da noite que cansou-se de participações tão ativas. Mas, mesmo assim, tudo poderia ser mais normal.

Sigo nessa rotina, mas pouco lhe importa. Meus novos costumes não lhe interessam, meus novos hábitos não lhe soam reais. Se acordei, isso lhe parece como um desafio, mudança negativa, desesperador indício de que o fim só lhe mostrou as caras agora. Antes, anestesias e vistas grossas remendavam sentimentos que, hoje, transbordam em teus monólogos e na minha intencional passividade. Afinal, deixei de agir e passei a observar, notando a claridade do olhar. E você, quando fará o mesmo, em vez de me apontar?

Quando?

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Enfim, a volta

Nesses últimos meses, um computador em crise de hardware me impediu de escrever. Algumas idéias fluíram, logicamente, mas as mesmas não conseguiram a mesma fluidez. Afinal, a dependência de lan-houses consome os bolsos e castra todas as liberdades de escrever sem camisa, com música alta e um copo de qualquer coisa gelada por perto. Talvez um mau costume, ou então uma excentricidade.

Com isso, o exercício da Supervisão de Pessoas em um callcenter tomou meu tempo. Interagindo com uma vertente mais humana da tão falada diversidade, me sinto mais reconhecido e, conseqüentemente, mais estimulado a continuar nessa loucura computadorizada. Dessa forma, a Comunicação Social ganhou um prisma Administrativo, pois vivo buscando meios de resolver problemas com boas palavras e atitudes. Nem sempre dá certo, mas já vale a intenção.

Para tentar compensar minhas mea-culpas, ouço sem parar os novos álbuns do Radiohead e do Mars Volta. Me surpreendi com a qualidade do primeiro material, enquanto me cansei com as baterias repetitivas do segundo. E, para imensa vergonha, ainda não recuperei as leituras do Educação de um Bandido, do Edward Bunker, e nem olhei a biografia do Tim Maia que está na estante da minha sogra. É muito delay para quem quer bancar o jornalista cultural, não é mesmo?

Com 2 Gb de RAM e um HD de 250 Gb, estou voltando. A cabeça agora é Dual Core, mas às vezes vira uma Quad Core alucinada (pois tamanho não falta). Só falta justificar as boas estatísticas, mesmo nesses tempos de textos minguados, com um material decente. Se você ainda não desistiu de navegar por aqui, sei que posso garantir a expectativa.

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O que foi e o que virá

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Por aqui, não há muito do que reclamar. O miolo foi turbulento, embora tenha sido bem mais leve do que os anteriores, que foram salpicados pelas preocupações com empregos e grana. Já as bordas do começo e do fim são inusitadas e crocantes como as novidades, que são saboreadas com curiosidade e algumas dúvidas. Afinal, elas me trouxeram experiências nas quais eu nem acreditava e ainda me renderam um salário.

 Não, nem tudo foram flores nesse campo. O corpo e a mente foram levados ao limite, com uma birita e alguns passeios com a mulher amada para relaxar. Os discos estiveram mais próximos do que os livros, graças à maior facilidade para rasgar os tíquetes e embarcar nas viagens. Com isso, foram eles grandes auxiliares da paz. Mas nada se comparou ao brilho dos olhos do sujeito no fim do mês, com a gaita prontinha para tocar!

Agora, a meta é tomar vergonha na cara e encarar a vida com ares mais leves. Meter mais cores, enxotar a preguiça, agrupar mais ânimo. Flutuar, caminhar mais leve, erguendo o olhar. Curtindo e amando mais, sempre mais.

Ótimo 2008 a todos!!

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As cores dominicais

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No último domingo (16/12), rolou uma mega-comemoração do retorno da minha amada. Começou com a chegada dela do Rio de Janeiro, quando fui buscá-la na rodoviária local junto de suas milhares de malas e presentes. Aí o mundo voltou a ter cores com os nossos beijos, abraços e o nosso reencontro físico. Com toda a carga que 43 dias de saudade podem provocar, foi demais.

Poucas horas depois, fomos no show do Tom Zé (foto), coisa rara numa cidade carente de diversidade cultural e com um cacoete terrível de cultura caipira, violas e etc. O SESC (Serviço Social do Comércio), promotor do evento, aliou-se ao Projeto Câmara de Cultura e colocou o tropicalista para tocar de graça num palco montado no Plenário da Câmara da cidade. Só que, por mais inusitado que pareça, Tom gostou da idéia. Encarnou seu lado político e discursou em cada intervalo de suas canções, divagando entre planetas e relembrando histórias. Ainda assim, as microfonias e outras falhas sonoras surgiram por culpa do lugarzinho um tanto ingrato. O Teatro Municipal mandava lembranças.

Depois, a dupla deu aquele sumiço esperto. O celular desligou, o casal evaporou e fez com que todo o resto do mundo se apagasse. Só reapareceram ao meio-dia da segunda-feira.

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Saudade

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É agora que vem o exercício, com sua grande cara de sacrifício, de conviver com a saudade. Passo o olho nos ponteiros e saio, risco todos os calendários só pra ver esse tempo passar.

Duas dezenas que mais parecem centenas, são todos os dias que vais ficar. De noite, no sonho, a gente se junta, se deita, se ama e o peito, num breve momento, pára de reclamar. Com o dia raiando e o café quente, começo no intento de ser paciente até a noite chegar.

Se a coisa ficar preta e um cisco no olho entrar, corro e abafo as lágrimas com aquela sua blusa perfumada até me embriagar. No criado-mudo, as fotos têm vários segundos de risos e beijos nos mais diversos lugares. Na gaveta, cartas e bilhetes acalmam as noites com fragmentos das nossas memórias.

Volta logo, meu amor! Vem dar novos ares pr’essa saudade na nossa história!

*

CD-PLAYER: OceanoDjavan, ao vivo no Altas Horas.

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A estafa ganha cores

As lutas pelo vil metal e o sórdido papel desgastam. Destroem punhos, poluem as vias arteriais, vibram pelas têmporas. As tristezas vêm pelas repetições, pelo desejo de resultados em massa e pela desumanização do processo. Mas essas não são as regras do Capital?

O Capital é verde, azul, bordô, vermelho e até mesmo âmbar. Tem bichos da fauna brasileira nas costas e a cara da irmã da Estátua da Liberdade. Sua pele tem micro-listras e é sensível, seu toque chega a brilhar nos olhos quando se amontoam os zeros. E o estresse das batalhas só compensa quando ele pinga.

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A sorte é que alguém raptou as canções do Fome de Tudo, da Nação Zumbi (acima), e jogou na web. Encontrei numa comunidade do Orkut, baixei e colori essa semana com a psicodelia pernambucana, mais orgânica e chapante do que no Futura. Lúcio Maia continua incendiando as guitarras, abusando dos reverbs, tremolos e canais que viajam entre uma caixa e outra. O produtor Mario Caldato Jr. caprichou na captação dos tambores e Jorge Du Peixe consegue até alguns tons mais melodiosos em seus vocais. E a Nação segue misturando dub, rock, samba e algumas pitadas eletrônicas.

Se a curiosidade está forte, leia aqui um texto massa do Bruno Nogueira (corrigido!). Além de um papo com o vocalista Du Peixe, ele indica o caminho para a prévia oficial da parada, com design autorizado pela banda.

Os sons psicodélicos sempre coloriram meus pensamentos, me atraindo mais do que outras vertentes desse vício chamado música. Assim, é melhor deixar esse mau escrito de lado e correr atrás do download acima. Por falar nisso, a minha fome é de um MP4 esperto. Topa me dar um nesse Natal?

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Entre as safras

Dessa vez, nada de stress psicológico ou qualquer outro abalo. O que realmente mudou foi a vontade de acompanhar a rede, de descobrí-la e aproveitar as suas vantagens. A culpa disso tudo vem da burocracia enfrentada nas 06 horas diárias sentado de frente à uma tela, cobrado em velocidade de digitação e raciocínio, bem como outros resultados internos. Nada de mais, afinal, até que estou me adaptando bem. Só que, no aconchego do lar, a coisa muda.

Em seu canto, o micro trabalha sozinho. Os torrents vêm rapidamente, carregando consigo as discografias de Tori Amos e Chico Buarque de Hollanda. Eu? Bem, estou lendo um livro, vendo um filme e indo até ele em cada par completo de horas. Não combina com a tranquilidade caseira moldar o traseiro em forma de quadrado, esperando as porcentagens aumentarem. Que o Pentium faça isso sozinho, pois já é bem forte para tal tarefa.

Entretanto, esse recanto não ficou abandonado. É que, entre os ovos que as socialites jogam das sacadas de seus apês e os mortos do caos aéreo, a Imprensa já fala bastante sobre as nossas mazelas. A criatividade foi passear longe daqui, ao menos por enquanto, e me tirou momentaneamente o brilhantismo – ou será o tempo vago? – das atualizações desse blog. Mas aguarde, amigo(a), pois ele continuará atualizado; é só uma questão de tempo.

Enquanto isso, Morena, dos Los Hermanos, sai dos alto-falantes.

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Ultra-rápido

I – Amadurecendo com o Gusta Abdel uma idéia de um texto sobre como o Di Caprio (acima) mudou seu estilo ‘galã pueril’ ao estrelar Diamante de Sangue e Os Infiltrados. Pode circular no jornal de pequeno porte do ilustre camarada, ou então figurar diretamente por aqui.

Em maturação.

II – Após classificar-me entre os 10 primeiros no concurso público que prestei dentro da minha área de formação acadêmica, sobra o ligeiro abatimento pela não-aprovação imediata. “Listas de espera”, “prováveis desistências”… nada disso me convence.

Mas isso passa logo, logo. Obrigado pelo apoio, amigos!

III“Pronto, já cantei. Felizes? Então tchau!” Essa deve ter sido a primeira frase da Amy Winehouse após cantar pra cacete no MTV Movie Awards 2007. Meio blasé, meio bêbada, mas cantora por completo.

Que Rihanna, que nada!

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Orkut integra-se com sistema de feeds

O Orkut agora possui uma novidade que vai agradar blogueiros e fotoblogueiros. Trata-se da integração do site de relacionamentos com o sistema de divulgação de feeds, que por sua vez permitem visualizar as últimas atualizações de um site sem ter que acessá-lo. A nova ferramenta do Orkut permite a divulgação do mesmo conteúdo que você veicula no seu blog, por exemplo, com a mesma formatação que você publicou. Com isso, os orkuteiros terão mais uma atração para exibirem-se e bisbilhotar.

Quando você acessar o perfil de um amigo(a), preste atenção na opção de seus feeds (acima).Se ele tiver um gerador de feeds cadastrado, você poderá ver o que ele tanto escreve/fotografa antes de visitar seu respectivo site. Agora, clique na opção marcada em vermelho, à esquerda.

Você irá acessar uma página como essa (acima). No caso, o último conteúdo do feed do Cronista Urbano* era o texto aí debaixo, cuja abertura era o pôster do filme Babel. Ao descer a barra de rolagem, você perceberá que o conteúdo é o mesmo do site verdadeiro, que você pode acessar clicando na opção “Ver Site” (canto superior). Abaixo, mais alguns detalhes sobre a página inicial do feed do seu querido e amado blog, leitor(a). Se você forçar os olhos, perceberá que é o mesmo texto já publicado.

Até o momento, os internautas que gostarem dos feeds de seus amigos não têm como cadastrar-se para receber atualizações diretamente do Orkut. Para isso, é necessário que o internauta vá até o respectivo site e procure a opção de cadastro no respectivo sistema. Entretanto, a vitrine virtual tão adorada pelos brasileiros agora tem mais um meio de divulgação de conteúdo. Enjoy!

*Clique na guia “Dentro da Redação”, encontre o link do meu perfil no Orkut e entenda melhor a inovação do site de relacionamentos.

*

CD-PLAYER: LightsThe Editors – Um ar de Joy Division, com guitarras à la U2. É da mesma turma do Interpol, que por sua vez tem uma reencarnação de Ian Curtis nos vocais… e por aí vai. (Tenho que juntar essas notinhas de rodapé e redigir um texto decente sobre música.)

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Um tom de esperança*

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De tanto falarem sobre Babel, a sua história ficou previsível. Esse foi o sentimento que percebi enquanto finalmente o assistia no DVD, já que os cinemas daqui (mais uma vez) não colaboraram. Aliás, o estilo de Iñárritu, com sua narrativa não-linear e cruzamento de tramas internas, também era uma agradável previsão. Só que, depois de diversos prêmios e muito falatório, a verdade é que criei expectativas demais diante do filme.

O diretor mexicano declarou que esse é o desfecho de sua “trilogia da morte”. Se em Amores Brutos (2000) os personagens saíam do prazer ao sofrimento e, em 21 Gramas (2003), as feridas permaneciam abertas, Babel sinaliza uma ascendência nesse gráfico. O declive de 2000 e o zero-a-zero de 2003 ganham cores de esperança em 2006, com pessoas que sinalizam um pré-interesse em curarem suas feridas – individual ou coletivamente. E é nessa trajetória ascendente que a trama esbarra em ares de dramalhão noveleiro, com contradições que mostram clichês da narrativa ao mesmo tempo em que esses chavões nos fazem refletir.

O vai-e-volta da narrativa cruza as histórias de dois irmãos marroquinos que atiram acidentalmente num ônibus de turismo e atingem Susan (Cate Blanchett), esposa de Richard (Brad Pitt). Então o velho fatalismo do roteirista Guillermo Arriaga** mostra como é necessário o acontecimento de uma bela cagada para sacudir e posteriormente unir os personagens, mesmo sem laços explícitos. Já os outros núcleos da narrativa sentem as vibrações do caos no Marrocos: a jovem surda-muda Chieko (Rinko Kikuchi) extravasa suas dores ao seu modo, enquanto a empregada mexicana Amelia (Adriana Barraza) só percebe que ‘arrumou sarna para se coçar’ depois que o sobrinho Santiago (Gael García Bernál) apronta na fronteira. Todos sentem as consequências do estopim marroquino, como a tensão causada por uma gota caída na superfície d’água, e recomeçam suas vidas – exceto os coitados dos camponeses do Marrocos.

No resumo, não é um filme genial como apontavam: soa como um meio termo entre a ação do primeiro com a introspecção do segundo. Entretanto, é uma peça obrigatória para quem conhece a filmografia de Iñárritu, pois encerra um argumento desenvolvido por ele ao longo das três tramas: como apenas a violência é capaz de chocar nossa zona de conforto e ressuscitar nossa condição humana.

*Publicado na Folha Obara, editada e conduzida pelo camarada Gustavo Abdel.

**O roteirista Guillermo Arriaga estará na Festa Literária Internacional de Paraty, falando sobre seu terceiro romance e sobre a repercussão dos seus trabalhos no cinema. Leia mais aqui.

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Bruna, te amo! - (3 x 365) + 90 = 1095 + 90 = 1185 dias ao teu lado.

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CD-PLAYER: A versão inglesa de Era Vulgaris, o novíssimo do Queens Of The Stone Age. Além das aguardadas faixas normais do lançamento, há duas faixas bônus. Enquanto alguns se matam com arquivos corrompidos pelo Orkut, com baixa qualidade ou então com uma bandinha cover imitando os caras, um inglezinho soltou o disco de verdade no Soulseek.

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Concursos e crimes

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Concursando – Depois de tantos dias já passados entre alguns casos de clientela prepotente, semi-analfabeta e milhares que não entendem as dificuldades de uma central de telemarketing em lidar com seu maquinário, um raio de luz apareceu. Despontou de surpresa, continuando com a tranquilidade com que levo tudo desde as avaliações que prestei. Me levou para a segunda fase do concurso público para a Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Taubaté, quando as práticas serão cobradas.

O atendimento com a Telefónica tapa os meus buracos e me livra da melancolia do desemprego. Entretanto, por maiores e desafiadoras que sejam as metas. propostas e neuroses de lá, voltei a pensar no meu diploma e nas possibilidades do ramo de trabalho que escolhi por vocação e paixão. Na terça-feira, rola o reconhecimento do território; no domingo, a prova prática às 14 horas. Se tudo correr bem, nem preciso dizer para qual caminho vou correr, né?

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Vida Loka – Comecei há pouco a leitura de Educação de um Bandido, a autobiografia de Edward Bunker. O sujeito é mais um caso de moleque sacana que, após ver sua família dissolver-se na onda de alcoolismo e desolação da Grande Depressão de 1929, passou por diversos reformatórios e culminou, ainda menor de idade, no cadeião de San Quentin. Só que, dentro da cadeia, ele devorava livros e arriscava seus escritos num ritmo alucinante. Assim alcançou sua redenção em 1975, com um romance aceito para publicação e muito bem recebido pela crítica e público. Esse é o mote do escritor de prosa gangsta, ídolo do Tarantino e especialista no descaso da sociedade para com os desajustados à ela.

Ainda não dá para dizer muito sobre a vida de Bunker. Mas, de cara, trata-se de um livro que superou minhas expectativas iniciais. Ainda mais quando eu jurava que, de longe, era a capa de mais um dos livros do Bukowski! O legal foi ver como a prosa sem meias palavras do grande Eddie, que ao mesmo tempo é profunda e reflexiva, me cativou.

Quando terminá-lo, falo sobre minhas impressões.

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CD-PLAYER: The Boy With No Name, o mais novo e belíssimo lançamento dos caras do Travis. Como foi bom esses caras darem um tempo, para depois voltarem com essa beleza de bolachinha. Arrebenta com o melado do Coldplay, por mais que ambos sejam bons – embora, dentre a carreira da banda, The Man Who ainda seja o campeão. E nisso, depois de diversas audições, fui obrigado a concordar com a Emily!

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Buscadores e marmóreas valquírias

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Relações improváveis – Um dia entenderei o que faz com que os malucos do Google associem o nome desse site à uma mãe suicida do ABC paulista. Dias atrás, alguém procurou por Duke Nukem, aquele famoso joguinho de computador, na barra de busca dele e uma referência foi listada com o Cronista – ainda que remotíssima.

Logo, mais das buscas malucas e das relações mais improváveis ainda desse blog com o que caçam por lá. Serão várias, acredite.

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Na Bizz desse mês – Antes de ir trabalhar, sempre passo na banca de revistas e procuro pelas publicações sobre música. Como já é mania, leio-as da mesma forma que faço provas de concursos públicos: de trás para frente. Só que revistas são muito mais atrativas do que as avaliações, ainda mais quando a seção de resenhas dos novos discos fica lá para o final.

Foi nesse finalzinho que achei um texto interessante sobre uma coletânea da modelo-atriz-cantora-compositora Nico. Ela cantou com os chapados do Velvet Underground, fez uma ponta num filme do Fellini e, dizem as más línguas, fez um sexo oral caprichado no Jim Morrison – há até uma passagem sugestiva no filme The Doors (do Oliver Stone), em que ela aparece como um dos casos do “Rei Lagarto”. Depois de muita cocaína e crises depressivas, ela compunha e gravava sob a batuta do ex-VU John Cale, trazendo à tona canções gélidas com letras horripilantes sobre suas experiências. Foram essas canções que a celebrizaram.

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Como não comprei a revista, não me lembro do nome do sujeito que escreveu sobre The Frozen Borderline: 1968-1970. De qualquer forma, você pode procurar pela edição desse mês da Bizz, que tem o Miranda (produtor musical e jurado do programa Ídolos, do SBT) com uma marreta na mão sobre um fundo verde (foto acima). Quando encontrá-la, verá que o início do texto fala sobre o “magnetismo da marmórea valquíria”. Essa introdução textual, além da força artística que já conhecia da Nico, já valeram a leitura. Depois disso, os discos dela voltaram à minha wishlist de MP3.

E aí, ela vai para a sua lista também?

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Cinza e vermelho

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O dia estava pintado de cinza. Seus tons eram de um estresse no trabalho que, pouco depois, quase respinga sua fúria na companheira. A cabeça parecia explodir, com um inchaço psicológico e uma dorzinha tão insistente quanto tinitus. Se os olhos estavam vermelhos, ele não sabia ao certo. Porém, todos sabiam que poucos seriam os bravos que o agüentariam naqueles dias.

Na volta do trabalho, uma cena o acalmou. Não havia qualquer razão aparente para tanto, mas aquela manifestação apaixonada o fez pensar no amor; no sentimento que ele deixara de dar aos seus próximos, sejam eles esposa ou pais. A paixão estava expressa naquele rapaz engravatado, com o corpo estirado no capô de um Uno Mille em movimento. Seus braços estavam abertos como Cristo, provavelmente pagando por palavras mal colocadas ou atitudes incompatíveis. Já suas mãos, que antes levavam um buquê de flores, sofriam para mantê-lo agarrado às bordas laterais do pára-brisa. As rosas vermelhas espatifadas pelo asfalto, esmagadas pelos pneus, mostravam o que poderia acontecer com ele caso se soltasse do automóvel. Mas ele lá queria saber disso tudo?

Os gritos do amante/suicida chamavam a atenção dos transeuntes. Ela, com a cabeça na janela, mandava-o soltar-se, mas o seu pé não descolava do acelerador. De repente, aquele quase crime passional fez o antes estressado pensar nas suas relações com as outras pessoas. Curiosamente, sua reflexão o acalmou e, minutos depois, ele usava o telefone ou então ia até as casas para expressar como gostava delas.

O apaixonado? Bem, aquele seguiu agarrado no carro, com os protestos da namorada a altos brados. Ninguém pelo bairro soube o que lhe aconteceu, mas o “Garoto Enxaqueca” sentiu os efeitos positivos daquela cena.

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P.S.: O Ezequiel tem um ótimo texto sobre a cultura do medo imposta pela mídia. Segundo sua pesquisa, não é de hoje que a Imprensa investe em catástrofes mundiais. A mídia nos transforma em seus ”patos habituais”?

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CD-PLAYER: Ela Faz CinemaChico Buarque

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Pegando gosto

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Numa primeira impressão, o treinamento para operação de telemarketing em que me meti era algo absurdo. Nas primeiras duas semanas, todas aquelas filas de computadores, o tempo cronometrado, as frases e procedimentos a seguir pintavam um quadro repleto de malucos. Depois, com uma pouco mais de familiaridade e com um intenso acompanhamento da empresa contratante*, já dá para dizer que, como os cariocas, me sinto ‘amarradão’ no novo emprego.

Rio ao lembrar que, lá nos tempos de faculdade e até mesmo de colegial, os teleoperadores agiam de outra forma. Tinham a fama de pentelhos, que ligavam nos dias e horários mais inoportunos para oferecerem produtos que não iríamos comprar nem desejávamos conhecer. Mais tarde, com o tempo sarcástico a rir da minha pessoa, me vejo do outro lado da moeda. A sorte é que a prática de ligar para os clientes está praticamente abolida, o que alivia a barra de atender bem e ainda vender algo – vendas que, logicamente, dão um upgrade no salário.

O horário de treinamento é das 23h de um dia às 07 da matina do outro. Sim, é puxado pacas; porém, é o único horário com computadores vagos, destinados ao desvirginamento do novo pessoal. Futuramente, o trabalho será da tarde para a noite e o relógio biológico voltará ao normal. Mas, por enquanto, essa é a música com a qual dançamos.

E não é que estou gostando?

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*Atento Brasil: Empresa de callcenter ligada ao Grupo Telefónica presente em quinze países. Dentre os diversos clientes, atende os setores 102, 103, Speedy e Tv Digital ligados à gama de serviços oferecida pela Telefónica no estado de São Paulo.

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CD-PLAYER: O Velho e o Moço (Los Hermanos) foi a última música que ouvi dos barbados antes de pegar no sono de vez. Guitarras calminhas, pássaros ao fundo, compassos suaves, essas coisas.

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Dueto com o operador

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Dueto – Já não é de hoje que o Chris Martin (foto), vocalista do Coldplay, se irrita quando citam o nome da sua esposa, a atriz Gwyneth Paltrow. Mas, pelo que parece, além de esquecer-se da fama da esposa, Martin esqueceu-se do seu senso de humor.

Gosto das canções da banda e da voz emblemática do sujeito. O que não gosto mesmo é de falar sobre celebridades, suas brigas e melancias penduradas nos pescoços. Porém, não é desse jeito que Martin, todo bom moço e idealista, livrará sua família dos abutres, digo, da Imprensa.

Se você já viu o filme Duets, de 2000, pegará fácil a piada. (Entenda aqui)

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Tele-Operador – Agora encontrei um meio de dar utilidade a esse meu jeito notívago de ser. Embarquei num treinamento para operador de telemarketing em uma multinacional, que por sua vez presta serviços à Telefónica, que está rolando da 00h às 06h da manhã. O que um registro na CTPS, renda fixa e alguma estabilidade não nos fazem, hein?

Ao menos aboliram os serviços ativos, ou seja, nos quais os tele-operadores ligam para as casas das pessoas – o que poupa a paciência de ambos os lados da moeda. E, garanto, que não vou ‘estar cometendo’ nenhum gerundismo e o blog continuará vivo. Creiam nisso.

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CD-PLAYER: O remix da batida de The Next Episode, do Dr. Dre, com algumas frases proferidas pelo mestre Paulo César Pereio em seus filmes. Se você ainda não conhece o Pereio, peça uma graça ao Santo Google. Mas se você já sabe quem é o homem, baixe logo a MP3 aqui.

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Do outro lado do Carnaval

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A vida pessoal nem sempre reserva bons momentos, mas permite que a melancolia da maré baixa nos faça refletir. Foi por pensar demais nisso que, entre madrugadas insones e vitrolas em pleno funcionamento, descobri o prazer da voz da musa indie acima: Cat Power.

Não convém entrar em detalhes sobre as razões da melancolia – seja a dela ou a minha. A vida profissional vai se ajeitando, mesmo que o horário de trabalho seja junto das corujas. O campo afetivo vai em bons ventos, eufórico com a possibilidade desse novo emprego realizar nossos sonhos. Porém, há outras razões e outros pensamentos, aliados ao meu estilo reflexivo e observador de sempre, que são embalados pela voz dessa moça enquanto surge o amanhecer.

Remando contra a maré dos carnavais, desfiles e bundas rebolativas, são poucos os que se interessam por ela e outros artistas do sadcore. Porém, se um dia desses você acordar “de ovo virado”, se é que você conseguiu dormir, ouça as canções de Chan Marshall (o nome verdadeiro dela) e relaxe.

Aqui você descobre detalhes sobre o mais recente trabalho dela, The Greatest (2006). Só que sua obra prima é Moon Pix (1998), com a belíssima Colors And The Kids. Tudo bem, ela tem um quê de “música de mulher”; mas duvido que você não sentirá nada ao ouví-la.

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