cronista urbano 3.0

música, cinema, livros e o cotidiano.

I love my horse

Depois dessa quinta-feira, quando vi o lançamento do DVD do Vanguart para a série Multishow Registro, vieram uma série de besteiras a falar sobre a Mallu Magalhães. Mas é melhor segurá-las, ao menos por enquanto, com a ajuda dos sacanas do Hermes & Renato.

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Fenômeno?

Por favor, parem de falar no Ronaldo. Deixem desse tom de falsa comoção, dessa idéia de que todos têm que se emocionar com as tentativas do gordo para continuar na mídia. Essa emoção fabricada por tantas mãos pode até fazer o povão esquecer momentaneamente dos travestis, mas os flamenguistas não esqueceram a traição. Aí a mídia cai em cima, uma das maiores torcidas de futebol do país – e os marketeiros do clube – compram a briga e Ronaldo se mata para manter o orgulho e jogar 45 minutos, mesmo que mal consiga sair do campo depois.

Certo está o Keirrison – ou algo parecido, pois não tenho culpa da extravagância dos padrinhos do rapaz – atacante do Palmeiras, que foi convidado junto do Ronaldo para uma entrevista no SporTV e ficou muito puto. Afinal, ele era o jogador-chave da partida, aquele que ajudou o seu time a lutar pela vitória, mas os jornalistas só queriam saber da “cagada do Fenômeno” na pequena área!

Muita gente pede tempo, mas os jornais não estão nem aí. Se Ronaldo piscar, lá estão os sem-assunto.

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Orkut perde a maior comunidade de troca de MP3

Ontem, a APCM (Associação AntiPirataria Cinema e Música) conseguiu vencer os membros da comunidade Discografias, considerado o maior ponto de encontro de quem gosta de MP3 no Orkut. Depois de diversas ameaças deste órgão, que representa um conglomerado de empresas de entretenimento, os moderadores – ainda não identificados – optaram por encerrar as atividades do fórum. Em nota aos membros da comunidade, os moderadores afirmam que a defesa de interesses não-lucrativos por parte das empresas representadas pela APCM – Universal, Sony, Columbia, Warner, MGM e outras mega-corporações do ramo no Brasil – é mentirosa. “Tais empresas se dizem sem fins lucrativos. Vamos acreditar nisso, né, gente? Como acreditamos em histórias da carochinha”, ironizam. O comunicado termina com a indicação do endereço físico e do e-mail, bem como dos números de telefone e fax, de Bruno Tarelov, representante da APCM.

Briga antiga – Os moderadores já viviam desde 2008 uma espécie de perseguição ao conteúdo da comunidade. Por meio de denúncias ao Google, mantenedor do Orkut, a APCM conseguia eliminar os tópicos que continham links para download dos arquivos que, normalmente, continham todas as canções dos discos de cada um dos artistas compilados em um arquivo ZIP. Para combater o que chamavam de censura, os membros organizaram um abaixo-assinado virtual contra essas práticas, que ganharam ainda mais força após o projeto de Lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Tal projeto determinava que os provedores de acesso à Web poderiam fornecer informações pessoais de internautas sob investigação por condutas supostamente ilegais, como pedofilia e, logicamente, o download de músicas. Entretanto, mesmo com o projeto de Lei parado no Congresso, a iniciativa judicial da APCM deu resultado.

Repercussão – Com quase 920 mil membros, a comunidade refletia o comportamento da juventude atual. Diversas pesquisas já revelaram que as novas gerações não sabem as diferenças entre a qualidade de áudio digital e a analógica, por não terem conhecido o vinil e consumirem quase que totalmente as músicas no formato digital. Tal comportamento também fortalece o índice de vendas de tocadores de MP3 e acessórios como gravadores de CD e DVD-R, estabelecendo um choque de interesesses e também uma contradição mercadológica. Afinal, o mesmo mercado que combate o download de músicas é aquele que vende iPod’s e CD/DVD-Recorders em progressões geométricas. A indústria insiste no rótulo da ilegalidade, do desvio de verbas relacionadas aos direitos autorais, mas também nunca esclarece ao certo quanto os artistas recebem em seus contratos – e obrigam os mesmos a investirem mais nas turnês do que na vendagem de discos.

Artistas como Robbie Williams e Radiohead vão à Corte inglesa defender fãs que são processados pela indústria fonográfica. E o próprio Radiohead é um grupo que rebelou-se contra o esquemão das gravadoras e deixou que seus fãs atribuíssem valor às suas músicas – que foram baixadas também pela internet. Dessa maneira, a banda inglesa deixou a tarefa financeira na mão dos próprios fãs, que também estavam livres para baixar de graça, se quisessem. Isso prova que os artistas mudaram suas visões sobre a indústria e o consumidor final. Assim, por que a indústria insiste em seus anacronismos?

Enquanto a APCM comemora, o mesmo Google que ajudou na exclusão de tópicos da Discografias continua listando links para download sempre que o internauta usar o seu serviço de busca. Isso sem falar nos torrents, que logo serão os próximos alvos.

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Falador ainda vai passar mal

Os homens começam a pensar e, nos debates, aliam-se e formam correntes de idéias que transformam o mundo. Essas transformações nem sempre são positivas, mas elas ocorrem. Então pessoas com pensamentos semelhantes se aglomeram e se estabelecem na nossa sociedade, com alianças que ultrapassaram o campo religioso e atacam numa espécie de “expansionismo das mentes”, por aí. É um nome bonito para falar de uma coisa simples: o poder de persuasão, e, em cima disso, da conquista de tudo e todos por meio de algumas idéias que, sinceramente, são furadas demais.

Esse expansionismo ideológico sempre foi a maior prática da Igreja Católica, que conquistou seu rebanho e ampliou sua rede de influências para amedrontar reis, presidentes e outros manda-chuvas. Séculos mais tarde, outra Igreja, a Universal, renovou esse modelo e graças à conquista de antigos membros católicos e outras pessoas desgarradas/despreparadas, recebe até hoje críticas mordazes dos perdedores. Assim, antes que você me acuse, prefiro observar as cagadas de um ou outro lado em vez de tomar partido – embora você ache que eu tomei.

É por isso que notícias como essa me deixam indignado, mas, ao mesmo tempo, desestimulam qualquer interesse de debater por horas ou redigir um extenso artigo. Mais uma vez, um grupo de homens que subverteu – e ainda subverte – muitos dos mandamentos divinos em benefício próprio e surge nos braços da Imprensa como “a Verdade Superior”. Quem são eles para mensurar a gravidade da conduta da mãe e da criança? E, pior, quem são eles para condenar as duas e manter um criminoso em seu grupo de fiéis? Será que Deus realmente está satisfeito com o que fazem justificando-se em Seu nome?

Ainda pago para ver Deus descendo muito puto, mandando um “pedala” em cada “féla falador” desses e explodindo esse estuprador como o Dr. Manhattan fez com o Rorschach no final do Watchmen. Sem Jesus, Buda ou qualquer outra personificação para disfarçar. Aí sim a coisa iria feder. Quanto ao aborto, isso é tema para um outro texto.

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Educando-se

“É no silêncio que se educa o talento, e na torrente do mundo o caráter”, disse Goethe.


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