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  • leo bueno 17:16 em Tuesday, 23 December 2008 Link Permanente | Responder  

    December Rhythm 

    Anos atrás, Natal era como uma conspiração. A Igreja estimulava, o comércio explorava e a população gastava nesse jogo histérico. Era uma visão típica da adolescência. Bom, pode não ser tão típica assim. Mas é a idade e a maturidade que fazem o coração ouvir mais os apelos ao redor, dando motivos para que o dinheiro saia mais dos bolsos e criando um escudo magnético para a culpa – seja pela gastança, seja pelos problemas mundiais sempre crescentes – ir para longe da multidão.

    Mas o Natal também pode te deslocar. De longe, junte a animação dos comerciais da tevê com o barulho e a pressa dos corredores dos shoppings. Você está comprando, mas, no fundo, não sabe bem o porquê. A família passou onze meses enrolada e agora quer juntar-se. Seria a última quinzena do mês um trampolim para mais um mergulho em enrolações no ano seguinte? Não seja chato, não pense nisso. Mas não adianta, pois até você está inventando novas proximidades,  novos laços embalados nesses dias pré-natalinos. É o amigo secreto, a confraternização da empresa, o flash na memória para relembrar nossa humanidade – ou então para nos afastar dela.

    Dezembro vem melancólico, embora só alguns queiram percebê-lo assim. Também curioso, pois até os mais taciturnos acabam torcendo para que ele passe mais rápido. Infâncias que se foram, adultos que não se sentem tão confortáveis na sua condição. Pessoas, momentos, situações que levam à introspecção, enquanto o povão interage até demais. Agora, o ritmo das ruas é muito contrastante para o que há por dentro.

    Som: For EmmaBon Iver.

     
    • Paulo Medeiros Piazera 17:13 em Sexta-Feira, 2 Janeiro 2009 Link Permanente | Responder

      Não há dúvida, Bon Iver é bom mesmo. Mas diria isto sem pressão e nem presunção, sem querer parecer que sou eu quem sabe o que é bom. Importantíssimo! Um dos grandes elos entre nós dois, eu e você, é o livro ” Na Natureza Selvagem”. Seu recado último no meu Orkut era a respeito do filme. Sean Penn superou-se não? Estava com medo de que não fosse possível a trasnsposição para o cinema. Mas foi, digo isto com alegria, espanto e admiração. Até os assuntos mais delicados relacionados a personalidade de Chris McCandless foram devidamente abordados. E a trilha sonora: que trilha!
      Um grande abraço e bom ano novo.
      Paulo

    • Felipe Attie 02:55 em Terça-feira, 6 Janeiro 2009 Link Permanente | Responder

      Cara, eu concordo com tudo com vc escreveu. Mas continuo sendo fã incondicional do Natal e seus respectivos especiais de TV!

  • leo bueno 16:09 em Tuesday, 16 December 2008 Link Permanente | Responder  

    Dor de cabeça 

    Depois de asperezas, insinuações de sofrer querem induzir os externos de que sou o errado. Sempre foi assim, ano após ano. Mas antes os dias se faziam de belos, repletos da luz do sol que insistia em queimar como brasa antes da chuva chegar. Os dias se passaram, várias torrentes me molharam e hoje vejo que o sol também quer queimar em um outro tempo: o depois. Assim, a água de antes ferve, cozinha os sentimentos dos quais já não quero mais me livrar.

    O que nos queima, infelizmente, sempre é a matéria. O “Ter” e a sua urgência lhe implantam a necessidade de parecer descolada, afirmando conhecimentos, experiências, situações. Será sua alma sempre querendo parecer ter mais vivência do que realmente tem? Descolada da realidade, da solidariedade inerente a certos laços humanos. Isso é o que acaba sendo, sobrepondo vozes, anulando audições e depois me cobrando o mostrar dos dentes.

    Depois das constatações, dias de trégua já não são mais bem-vindos. Eles iludem; trazem a luz que também queima, simulam tempos bons e depois tudo é tempestade de novo. Quero a liberdade madura, o despertar para a realidade à qual pertenço. Teus vínculos existem, mas devem ser refeitos, repostos. Não vou lhe obrigar, pois essa não é minha vontade e tal ato não cabe a mim. Precisas, enfim, de um espelho em sua frente e, quem sabe, de hematomas na consciência. Porém, desisti dessa militância inútil para que sua consciência doa.

    Agora, o cansaço. A desilusão, o grito preso, o olhar perdido com a música do Cartola ou a guitarra ecoando no rock indie-psicodélico. Mente cansada, dor de cabeça, saco cheio e vontade de mudança.

    Som: Noche De Los MuertosEl Mató A Un Policía Motorizado / O Mundo É Um MoinhoCartola

     
    • Gabriela Morena 22:21 em Quinta-feira, 18 Dezembro 2008 Link Permanente | Responder

      …Presta atenção o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinho, vai reduzir tuas ilusões a pó….

      É isso que a vida faz, nos faz presenteia com momentos fugazes de alegria nos deixando a ilusão de que esses momentos terão continuidade, mas essa é a felicidade humana, dura tanto quanto um suspiro….
      será a vida que nos ilude ou somos nós mesmos????

      Quanto ao Cartola, dá até gosto de ficar triste ouvindo ele…

  • leo bueno 22:55 em Monday, 8 December 2008 Link Permanente | Responder  

    Novo “Departamento” 

    Visite o novo “Departamento” do blog, onde ficam as enquetes. Deixe logo aqui à direita o seu voto sobre os rumos desse site. É rápido, fácil e você já consegue acompanhar os resultados parciais.

    Participe!

     
    • Madalena 09:36 em Terça-feira, 9 Dezembro 2008 Link Permanente | Responder

      Obrigada pela visita. Adorei tuas idéias também. Conversemos! Vou te adicionar no orkut também.

  • leo bueno 01:46 em Thursday, 4 December 2008 Link Permanente | Responder  

    Dias de férias 

    Quando eles chegam, ninguém acredita no quanto demoraram. Ah! Tantos foram os momentos em que tudo o que importava era quando eles chegariam, misturando ansiedade no meio da preguiça e, assim, consolidando a má-vontade momentânea. Todos já estavam atrasados, sem o charme da noiva prestes a casar e sem a pompa de estrela do rock. Isso irritava, desesperava, acumulava planos e desejos que só se concretizariam na chegada.

    Aliás, essa chegada foi engraçada. Foi em alguma hora que o sono derrotou a minha espera madrugada adentro, só pode. Tudo acertado na sexta-feira, com o fim-de-semana passando com a mesma cara dos outros. Quando acordei na vistosa segunda-feira, eles já faziam algazarra com os pássaros e o cão na praça ensolarada, chamando implicitamente por mim. Então, o banho gelado e a caneca de café terminaram com minha sonolência, me lembrando de que aquele dia deixaria de ser mal-assombrado só pela presença deles.

    Ontem à noite, eles partiram. Pediram algumas cópias dos CD-R’s que gravamos nesse período, para que a lembrança de mim lhes chegasse pelos ouvidos enquanto as paisagens passassem voando pela janela do carro. As lembranças das tardes ensolaradas agora querem se desprender das nossas peles, eu sei. Mas elas também simbolizam o abandono do jovem estressado de antes, ansioso por presenças e momentos diferentes dos que vivia, e a chegada de outro. Pena que esse leve desespero pela visita deles não segurou os ponteiros, para tornar os dias mais longos do que eles já estavam com o horário de Verão.

    Antes, os sentimentos à la Slayer só abrandavam na cerveja, deixando o way of life como nas canções do Queens Of The Stone Age. Hoje, a leveza foi o que ficou, como numa mistura de climas dos discos do Little Joy e dos Fleet Foxes. Será saudade?

    Depois de Março do ano que vem eles voltam.

     
  • leo bueno 01:16 em Wednesday, 3 December 2008 Link Permanente | Responder  

    O esperto sempre ronda 

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    Doações – O pior não é a tragédia. Por mais que os conterrâneos, num primeiro momento, e depois o País inteiro se solidarize com os mortos, feridos, desaparecidos e desabrigados, o verdadeiro caos se estabelece quando os oportunistas resolvem captar doações para ajudá-los. Aí, leitor(a), as hienas resolvem faturar em cima do choro alheio.

    Sim, observações como essas podem ser atacadas ferozmente por religiosos e outros supostos benfeitores. Por isso que, antes de qualquer movimento em sua carteira, lhe aconselho a rastrear o histórico da instituição que está captando a verba. Assim, você garante que sua ajuda não escoe pelo ralo e se misture no famoso e vasto inferno em que habitam as boas intenções, sem que nenhum catarinense compre sequer uma bala.

    Por via das dúvidas, confie nos Bombeiros de sua cidade.

    Fora, Azeredo! – Não é sem tempo. Se você adora a internet, não vive sem MP3, participa de diversos fóruns digitais e também gosta de publicar em seu blog, é claro que será contrário ao projeto de Lei do senador Eduardo Azeredo. A discussão já rola há um bom tempo no Orkut e outros fóruns da rede, logo, leia aqui e me poupe de requentar o requentado. O que vale mesmo é a lembrança para que você também assine contra o projeto e, se estiver disposto, traga suas idéias à tona.

    Novos rumos – Voltei temporariamente ao estilo noticioso dos posts de antes para refrescar a cabeça. A idéia de novos nomes e propostas para um blog continua de pé, transitando entre a vertente do Canil (mais esporrento, livre e despreocupado) e de Macondo (mais literário, fantástico, com outros tipos de liberdades). Talvez nessa semana ainda feche o esquema.

    Last.Fm – Kanye West, Mos Def, The Roots, Rappin’ Hood e Sabotage (em ordem decrescente nos últimos 07 dias). Rap também faz parte do meu show, a raça não nega.

     
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