December Rhythm
Anos atrás, Natal era como uma conspiração. A Igreja estimulava, o comércio explorava e a população gastava nesse jogo histérico. Era uma visão típica da adolescência. Bom, pode não ser tão típica assim. Mas é a idade e a maturidade que fazem o coração ouvir mais os apelos ao redor, dando motivos para que o dinheiro saia mais dos bolsos e criando um escudo magnético para a culpa – seja pela gastança, seja pelos problemas mundiais sempre crescentes – ir para longe da multidão.
Mas o Natal também pode te deslocar. De longe, junte a animação dos comerciais da tevê com o barulho e a pressa dos corredores dos shoppings. Você está comprando, mas, no fundo, não sabe bem o porquê. A família passou onze meses enrolada e agora quer juntar-se. Seria a última quinzena do mês um trampolim para mais um mergulho em enrolações no ano seguinte? Não seja chato, não pense nisso. Mas não adianta, pois até você está inventando novas proximidades, novos laços embalados nesses dias pré-natalinos. É o amigo secreto, a confraternização da empresa, o flash na memória para relembrar nossa humanidade – ou então para nos afastar dela.
Dezembro vem melancólico, embora só alguns queiram percebê-lo assim. Também curioso, pois até os mais taciturnos acabam torcendo para que ele passe mais rápido. Infâncias que se foram, adultos que não se sentem tão confortáveis na sua condição. Pessoas, momentos, situações que levam à introspecção, enquanto o povão interage até demais. Agora, o ritmo das ruas é muito contrastante para o que há por dentro.
Som: For Emma – Bon Iver.


Paulo Medeiros Piazera 17:13 em Sexta-Feira, 2 Janeiro 2009 Link Permanente |
Não há dúvida, Bon Iver é bom mesmo. Mas diria isto sem pressão e nem presunção, sem querer parecer que sou eu quem sabe o que é bom. Importantíssimo! Um dos grandes elos entre nós dois, eu e você, é o livro ” Na Natureza Selvagem”. Seu recado último no meu Orkut era a respeito do filme. Sean Penn superou-se não? Estava com medo de que não fosse possível a trasnsposição para o cinema. Mas foi, digo isto com alegria, espanto e admiração. Até os assuntos mais delicados relacionados a personalidade de Chris McCandless foram devidamente abordados. E a trilha sonora: que trilha!
Um grande abraço e bom ano novo.
Paulo
Felipe Attie 02:55 em Terça-feira, 6 Janeiro 2009 Link Permanente |
Cara, eu concordo com tudo com vc escreveu. Mas continuo sendo fã incondicional do Natal e seus respectivos especiais de TV!