Confesso que ainda me falta a velha vontade de escrever. No entanto, enquanto reflito sobre velhos desejos que ainda nem foram escritos, novos anseios aparecem na lista, se jogam e me tornam ainda mais contraditório. Dessa forma, ainda rumino uma forma perfeita de voltar a escrever, seja para o beijo ou então para o escarro.
No meio do tumulto da morte do Heath Ledger, lembrei de um texto antigo sobre o Carlos Lacerda. Tudo porque, agora, a mídia soltou no chão o osso da overdose e abocanhou o toco do suposto fanatismo de Ledger pela obra de Nick Drake. Claro que os cães estão ali, com o Drake na boca e vigiando a overdose de perto. Só que, dessa vez, os rumores deram vez a um vídeo feito pelo próprio Ledger com colagens de cenas de sua vida que se desenrolam ao som de Black Eyed Dog. E você pergunta: onde entra o Lacerda? A ligação se dá no “cão negro” ou “cão de olhos negros”, forma carinhosa que Churchill se referia à depressão que foi citada por Lacerda no livro em voga, virou música de Drake e supostamente pirou a cabeça de Ledger. Curioso, não?
O assunto é velho. O jornalista, o músico e o ator são passado. Do jeito que as coisas andam, essa velha forma de blogar que uso também. Não me sai da cabeça algo relacionado a um canil, à idéia de “soltar os cachorros”, “a place where the dog barks free“, para batizar o projeto. Lascar um pseudônimo também, dependendo do ânimo. Não sei. Se você tiver uma boa idéia, comente esse texto e te garanto os créditos depois.
Enquanto isso, continuo na minha loucura corporativa de sempre. Para desestressar, libero a correnteza folk no violão de 12 cordas ou nas vitrolas de Dylan, Young, Cohen e, recentemente, Tindersticks, Los Alamos, José González, Kings Of Convenience e Iron & Wine. Ainda estou no Orkut e no MSN, amadurecendo idéias ou então não pensando em nada.
No canto da sala, o Lobão toca Essa Noite, Não no “Acústico MTV”.