Três da manhã. O relógio ecoa na cozinha, várias pessoas saem e ecoam da tevê. Coloco todos no mudo e os ponteiros do relógio crescem, agigantam-se e parecem caminhar como elefantes pela casa. Se desvio a atenção, a rua ecoa carros desafiadores e seus pilotos bêbados e valentes. Minha calma e segurança em casa não me impedem de passeios noturnos, como um espectador da noite que cansou-se de participações tão ativas. Mas, mesmo assim, tudo poderia ser mais normal.
Sigo nessa rotina, mas pouco lhe importa. Meus novos costumes não lhe interessam, meus novos hábitos não lhe soam reais. Se acordei, isso lhe parece como um desafio, mudança negativa, desesperador indício de que o fim só lhe mostrou as caras agora. Antes, anestesias e vistas grossas remendavam sentimentos que, hoje, transbordam em teus monólogos e na minha intencional passividade. Afinal, deixei de agir e passei a observar, notando a claridade do olhar. E você, quando fará o mesmo, em vez de me apontar?
Quando?
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leo…
*abraça*