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  • leo bueno 22:23 em Monday, 24 March 2008 Link Permanente | Responder  

    O novo consumo musical 

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    Em maio de 2007, Trent Reznor desferiu suas velhas críticas às práticas das grandes gravadoras. Naquele momento, o alvo era o alto preço de varejo de Year Zero, trabalho anterior do Nine Inch Nails. Segundo ele, “como recompensa por ser um fã verdadeiro, você é roubado”, dentre outras. Vale lembrar que dois meses antes do lançamento oficial desse mesmo disco, a banda iniciou um alternate reality game por meio de USB drives com arquivos MP3 intencionalmente espalhados durante shows do grupo. Dentre o conteúdo dos drives, os fãs encontravam links para sites fictícios relacionados à temática do álbum. O resultado foi uma ação da RIAA (Associação da Indústria Fonográfica Americana) que tratou de fechar sites que compartilhavam esses conteúdos, o que enervou Reznor.

    Nove meses depois, Reznor divulgou uma mensagem misteriosa no site da banda, com título “02 semanas”. Já em março, saiu Ghosts I-IV, álbum duplo com 36 faixas instrumentais que, além da óbvia experimentação com distribuição digital, marca o início da nova fase da banda sem contrato com uma gravadora. O fã escolhe entre o download gratuito do primeiro volume (com 09 músicas), o download completo por US$ 5 ou a edição dupla em digipack por US$ 10. Quem gosta de luxo pode levar os dois CD’s e um DVD por US$ 75, ou então desembolsar US$ 300 numa edição limitada com 04 CD’s e um álbum de fotografias assinado por Reznor.

    E a música? – Gravado em 10 semanas de outono no hemisfério Norte, o disco é considerado por Reznor uma trilha sonora para sonhos diurnos. Segundo ele, a perspectiva visual envolveu cenários com imagens e sons onde as vozes não eram necessárias. “Começamos com improvisos, pensando em um EP com cinco canções, e a música nos guiou. Em alguns dias, ficou clara a qualidade do material e percebemos que estávamos dando forma a um belo trabalho que não seria permitido facilmente pelas grandes gravadoras”, disse. O resultado é um experimento eletrônico com texturas de piano, violões, guitarras distorcidas e algumas colagens sonoras que só é compreendido por completo quando os 04 volumes tocam direto no player, estimulando a imaginação a buscar imagens de maneira mais livre do que em canções com letras definidas.

    Estaria Reznor cansado de discursar?

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    [Reznor (de verde, ao centro) e banda.]

    Revolução digital – O lançamento de Ghosts I-IV segue uma linha semelhante à adotada pelo Radiohead com seu In Rainbows, indicando que os artistas estão cada vez mais preocupados com as mudanças causadas pela web. Com apenas três dias de lançamento, Reznor faturou US$ 750 mil com seu “álbum de graça” – sem falar na intensa divulgação das MP3 que também ocorre nos peer-2-peer ilegais. Tal fato deixa ainda mais evidentes os nichos de consumo musical: aqueles que baixam para experimentar – cuja aprovação é efetivada ao queimarem um CD-R, e os que baixam as MP3 mas depois compram os originais. Além disso, os consumidores do segundo nicho têm mais derivações, visto que têm mais opções de regalias (álbuns de fotos, discos bônus e outros materiais) para adquirir de acordo com o poder aquisitivo.

    Mas, para Reznor, a verdadeira revolução está em suas mãos. Em entrevista à Digital Music News, ele disse que o Radiohead usou a distribuição digital apenas como isca para um produto de pouca qualidade. Com isso, Reznor supõe que o alarde com os ingleses é um tanto desnecessário. “Não vejo que o que eles fizeram mereça ser chamado de revolução”, disse. Gabando-se do conceito instrumental, Trent?

    E o que você pensa disso? Vamos lá, comente!!

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  • leo bueno 03:42 em Sunday, 23 March 2008 Link Permanente | Responder  

    Olhares 

    Três da manhã. O relógio ecoa na cozinha, várias pessoas saem e ecoam da tevê. Coloco todos no mudo e os ponteiros do relógio crescem, agigantam-se e parecem caminhar como elefantes pela casa. Se desvio a atenção, a rua ecoa carros desafiadores e seus pilotos bêbados e valentes. Minha calma e segurança em casa não me impedem de passeios noturnos, como um espectador da noite que cansou-se de participações tão ativas. Mas, mesmo assim, tudo poderia ser mais normal.

    Sigo nessa rotina, mas pouco lhe importa. Meus novos costumes não lhe interessam, meus novos hábitos não lhe soam reais. Se acordei, isso lhe parece como um desafio, mudança negativa, desesperador indício de que o fim só lhe mostrou as caras agora. Antes, anestesias e vistas grossas remendavam sentimentos que, hoje, transbordam em teus monólogos e na minha intencional passividade. Afinal, deixei de agir e passei a observar, notando a claridade do olhar. E você, quando fará o mesmo, em vez de me apontar?

    Quando?

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  • leo bueno 03:10 em Tuesday, 11 March 2008 Link Permanente | Responder  

    Folk Night 

    Definitivamente, São José dos Campos é uma cidade difícil. São tão poucas as alternativas que você aprende a ser mais são, sóbrio e econômico. Nessa lógica, os gastos que valem a pena envolvem boas companhias, ótima música, e, claro, uma cachaça certeira. Esses três pilares me levaram até o show do Vanguart, um grupo de cuiabanos que traz na bagagem ecos de Mr. Dylan, da onda beatnik e uma interessante mistura sul-americana de línguas, influências e interesses. Com a raridade desse tipo de evento por aqui, é claro que não fiquei em casa.

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    [Helio, Douglas, Lazza e Reginaldo em ação.]

    Quando os vi ao lado de outras cinco bandas independentes num programa da MTV (não adianta, esqueci o nome), me surpreendi com a fidelidade com que os rapazes emulavam inspirações das antigas. Audições detalhadas tiraram a impressão de mais uma daquelas cópias pela metade, apenas com a casca bem estruturada e uma veneração boba. Com arranjos calcados no folk, no blues e pitadas generosas de country, o grupo fala em três línguas um discurso que te convida a viajar, mas sabe ser contido na extensão dessa proposta. E isso, leitor(a), é fundamental quando mexemos com emoções e sentidos e não queremos ser chatos como os progressivos.

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    Helio Flanders (foto) fala de amores e amizades da mesma clareza com que expõe sua poesia psicodélica. Coloca sua gaita em volta do pescoço, relembrando você sabe quem, e solta seu fluxo criativo na língua que vier. Confessa que só acredita no Semáforo e no coração, ressaltando sobre o que realmente importa: o que nos faz abrir os olhos. Com isso, as lapadas de cachaça certeira prepararam o terreno para a agitação de Hey Yo Silver e a conexão latina estabelecida com Los Chicos de Ayer. Depois da exibição fiel às gravações encartadas na Outracoisa e uma brincadeirinha com Like a Rolling Stone, a banda mandou um compasso mais lento de Drive My Car, dos Beatles, para a trilha sonora no carro ou no caminhão.

    Um lembrete para os malucos que voltariam para casa no volante?

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    [Helio e Leo pouco depois do show.] 

    Ninguém desandou em conselhos sobre prudência. Aliás, o maior presente foi a ausência dela, regada à muita Bohemia no camarim. Foi ótima a receptividade com que todos conversavam sobre a casa, sobre o público e agenda crescentes e as curiosidades/influências expressas em cada uma das canções. No momento, estão na estrada para tocar em Porto Alegre (RS) na próxima sexta. Mas nem “A Consciência”, o único sóbrio do recinto, preocupou-se com horários. Até ele gargalhou com “Silvio Santos Flanders” pedindo a última cerveja na cidade, só para não sujar seu carro!

    Devidamente satisfeitos, todos embarcaram em suas viaturas e seguiram viagem. Na volta para casa, o Greenpeace contava vantagem enquanto o dia clareava.

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    • André Bahia 01:27 em Terça-feira, 25 Março 2008 Link Permanente | Responder

      Muito bacana essa linha de trabalho da banda que na verdade é muito mais um estado de espírito do que trabalho. Felizes são aqueles que acreditam e buscam seus sonhos

      Um abraço
      Até

  • leo bueno 01:13 em Tuesday, 4 March 2008 Link Permanente | Responder  

    Reine Sobre Mim 

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    Charlie Fineman (Adam Sandler) perdeu a esposa, duas filhas e até mesmo o animal de estimação no 11 de Setembro. Nisso, nada mais lhe interessava. Sobrou um apartamento repleto de lembranças que ele preferiu isolar, adotando uma vida que regressou à adolescência. Seu maior prazer e devoção, em vez do trabalho na Odontologia, tornou-se um Playstation. Amigos? Não, apenas a companhia de um suspeito advogado da família e da ranzinza síndica do prédio em que mora.

    Do outro lado, Alan Johnson (Don Cheadle) é um dentista renomado, mas não lida bem com a balança entre a vida pessoal e o trabalho. Vive explorado pelos sócios de um consultório onde ele foi o maior colaborador, com direitos até à maior fatia do bolo, e não sabe compartilhar suas dificuldades. Até que um dia a represa estoura e Johnson encontra Fineman, o velho colega de quarto dos tempos de faculdade, numa casualidade pelas esquinas de Nova York.

    Não parece, mas Alan tem um pouco mais de coragem do que Charlie na hora de enfrentar problemas. Sabendo disso, Johnson aproveita as lições de convivência com Fineman e tenta ajudar o amigo a desabafar. Pena que o advogado (aquele, lembra?) fica sabendo e deduz que há interesses excusos na amizade. Com isso, até os ex-sogros entram no embalo para interditar o “esquisito cheio da grana” e, enfim, a força dramática do longa se revela.

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    [Fineman (Adam Sandler) e Johnson (Don Cheadle) curtindo um cineminha.]

    Adam Sandler continua mostrando competência em histórias mais densas, como já fez em O Paizão e Espanglês. Seu personagem que abdicou de tudo o que lhe lembrava a vida adulta – e, consequentemente, a sua família – nos deixa com raiva, faz rir e, principalmente, chorar. Don Cheadle continua com seu olhar que fala, conduzindo muito bem o contido dentista Johnson. Mas a cena mais brilhante envolve o sermão que Johnson aplica em Fineman, levando-o às lágrimas e ao esperado desabafo de cinco dolorosos anos. E, leitor(a)… essa cena vai te balançar.

    Outro ponto forte foi o bom-senso da distribuidora, que seguiu fielmente o sentido do título original e deu ainda mais força àquela canção do Bruce Springsteen. Quer saber qual é? Assista, emocione-se e descubra.

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    • Ana F. 11:25 em Domingo, 9 Março 2008 Link Permanente | Responder

      Oi, Léo
      é sempre bom vir aqui – ajuda a criar o mapa da mina na hora de chegar a locadora!
      Beijo e bom domingo,
      Ana

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