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  • leo bueno 22:35 em Wednesday, 24 October 2007 Link Permanente | Responder  

    A estafa ganha cores 

    As lutas pelo vil metal e o sórdido papel desgastam. Destroem punhos, poluem as vias arteriais, vibram pelas têmporas. As tristezas vêm pelas repetições, pelo desejo de resultados em massa e pela desumanização do processo. Mas essas não são as regras do Capital?

    O Capital é verde, azul, bordô, vermelho e até mesmo âmbar. Tem bichos da fauna brasileira nas costas e a cara da irmã da Estátua da Liberdade. Sua pele tem micro-listras e é sensível, seu toque chega a brilhar nos olhos quando se amontoam os zeros. E o estresse das batalhas só compensa quando ele pinga.

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    A sorte é que alguém raptou as canções do Fome de Tudo, da Nação Zumbi (acima), e jogou na web. Encontrei numa comunidade do Orkut, baixei e colori essa semana com a psicodelia pernambucana, mais orgânica e chapante do que no Futura. Lúcio Maia continua incendiando as guitarras, abusando dos reverbs, tremolos e canais que viajam entre uma caixa e outra. O produtor Mario Caldato Jr. caprichou na captação dos tambores e Jorge Du Peixe consegue até alguns tons mais melodiosos em seus vocais. E a Nação segue misturando dub, rock, samba e algumas pitadas eletrônicas.

    Se a curiosidade está forte, leia aqui um texto massa do Bruno Nogueira (corrigido!). Além de um papo com o vocalista Du Peixe, ele indica o caminho para a prévia oficial da parada, com design autorizado pela banda.

    Os sons psicodélicos sempre coloriram meus pensamentos, me atraindo mais do que outras vertentes desse vício chamado música. Assim, é melhor deixar esse mau escrito de lado e correr atrás do download acima. Por falar nisso, a minha fome é de um MP4 esperto. Topa me dar um nesse Natal?

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    • Bruno 23:01 em Quarta-feira, 24 Outubro 2007 Link Permanente | Responder

      Eu nao sou o Torturra. Temos o mesmo nome (Bruno Nogueira), mas sou do Recife.

      A foto do texto que é dele

  • leo bueno 21:17 em Tuesday, 16 October 2007 Link Permanente | Responder  

    Ainda mágicos 

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    Thom Yorke e seu bando resolveram simplificar tudo desde que voltaram à Terra. Para começar, nada de suposições e ‘zilhões’ de faixas inacabadas vazando pela web. Com uma micro-nota em seu site, o Radiohead informou que havia terminado as gravações e lançaria In Rainbows no último dia 10. Sem alianças com grandes gravadoras, soltaria os downloads diretamente do hotsite do disco, pelo preço que o internauta desejasse pagar. A compensação, logicamente, viria para aqueles que encomendassem seus pacotes Discbox, que viriam com mais um CD de músicas bônus, bem como as versões dos mesmos em vinil e uns livretos caprichados.

    Já a segunda simplificação vem na música. O grupo soltou algumas cores na mistura jazz/eletrônica que faz, adicionando algumas guitarras limpas e harmoniosas ali, uns batuques computadorizados aqui e, claro, a voz doída de Yorke. O resultado é um som mais palatável, menos sombrio que a dupla Ok Computer/Kid A e sem tantas experimentações extraterrestres. Ainda assim, é criatividade à mil por hora, com a marca da banda.

    Como o César disse aqui, trata-se de um álbum que não vai impressionar os fãs antigos, mal-acostumados com tantas peripécias dos cabeças de rádio. Ainda assim preservaram seus lugares no topo do que pode se chamar de criatividade no mainstream – ou será indie? Aproveite a deixa, faça seu download, ouça e tire suas conclusões.

    P.S.: Um pouco abaixo, atualizei a nota sobre o lançamento de In Rainbows com uma foto maior do Discbox. Passe lá!

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    • emi 17:15 em Sexta-Feira, 26 Outubro 2007 Link Permanente | Responder

      eu gostei do novo dos rapazitos ets. não que eu seja fã antiga ou alucinada, mas não fiquei impressionada, fiquei, digamos, satisfeita. em tempos de travis meio que fracassando, ter o radiohead assim, que não decai, que continua no seu estiloso jeito de ser, já é uma satisfação ;)

  • leo bueno 22:04 em Tuesday, 9 October 2007 Link Permanente | Responder  

    Botando o bloco na rua 

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    Enquanto a Hebe botava o ator André Ramiro, que interpretou o policial Matias no Tropa de Elite, no sofá morno de suas celebridades, a TV Cultura botou o cineasta José Padilha (foto) de cara com advogados, policiais e jornalistas no Roda Viva. Se a pauta já tinha a sua força pela absurda pirataria do longa-metragem, entrevistadores e telespectadores enfim tiveram respostas fortes para perguntas bem construídas se fixassem suas telas no canal 02.

    Polícia arcaica – Padilha parecia um daqueles sujeitos atormentados, que vivem remoendo argumentos acerca de seus trabalhos. Muitas vezes iniciava suas palavras de cabeça baixa e olhos no chão, para em seguida encarar seus entrevistadores e metralhar pensamentos sobre o modus operandi arcaico da Polícia. Esse, aliás, foi o mais contundente dos argumentos, que gerou uma transparente surpresa nos olhos do Comandante presente. “A Polícia não está preparada para encarar os novos tempos da criminalidade porque sua estrutura é velha, dos tempos da Ditadura e daquele poderio militar que não se renovou. Com isso, não é de se estranhar que policiais venham mover ações judiciais contra a exibição do meu filme. Se tenta-se calar uma manifestação artística, que por si só enfatiza alguns pontos enquanto desfoca outros de uma mesma problemática, está provado que a Censura está viva e é um método recorrente desses profissionais”, disse. Depois dessa, o apresentador Markun estrategicamente chamou os comerciais.

    Sangue na tela – Depois, ao perguntarem sobre a violência do seu trabalho, ele declarou que as reações que se seguiram são naturais – embora ele não tenha visto odes à tortura como relataram na Imprensa. Assim, ele se diz feliz pelo fato de seu filme inspirar discussões sobre a violência urbana. “Mas, apesar de tudo, temos que discutir a tortura, que não é digna sob nenhuma hipótese. Aliás, como podemos combater a violência usando mais violência?”, perguntou, conduzindo o papo para questões biológicas e psicológicas logo em seguida.

    Padilha arrematou com uma intensa provocação àqueles que proclamam os soldados do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) como heróis.  “No fundo, aqueles que acham que a repressão violenta é a solução da criminalidade estão saindo da toca e revelando aquele velho traço de Direita”, incitou.

    Alô, usuários – O arremate das discussões sociais propostas por Padilha e seus roteiristas (cabem aqui parênteses sobre a lição de coletividade, quando ele cita por diversas vezes que o sucesso do longa cabe ao grupo, a força do roteiro e das interpretações dos atores) teve mais uma bofetada na “juventude chapada”. Longe das lições de moral das campanhas anti-drogas, o cineasta disse que seu filme leva cruamente às telas o círculo do tráfico, esclarecendo que não se pode criticar um problema quando se faz parte dele.

    Como acabar com isso? “Descriminalizar as drogas seria um bom começo. Afinal, quem disse que a maconha é mais prejudicial do que o cigarro e o álcool? Ou tratamos todas as drogas por igual, ou não mudaremos nada do que já vivenciamos”, sentenciou.

    Cinema e Sociedade – Por mais que a mídia já tenha debatido insistentemente essas questões, elas continuam como chaves pois trata-se do próprio diretor sustentando as pautas de seu roteiro. Por sinal, Padilha revela-se um cineasta intenso, consciente da força dos recursos audiovisuais e do potencial explosivo que Elite da Tropa, o livro, teria nas telonas. Mais do que o retrato histórico – e até mesmo poético – das favelas, do tráfico de drogas e das rixas com policiais, José Padilha reacendeu a chama do cinema como transformador social em nossa terrinha.

    Será que sua filmografia permanecerá assim? Só o tempo dirá.

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  • leo bueno 22:51 em Tuesday, 2 October 2007 Link Permanente | Responder  

    (Estaremos sendo) Esquisitos e Inovadores 

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    Esquisitice – O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (foto), tentou, mas não conseguiu nada além da esquisitice. Tudo porque seu decreto publicado ontem (01/10) no Diário Oficial do Distrito Federal prevê a demissão do gerúndio, uma forma verbal que tornou-se uma verdadeira praga pelas ruas.

    Tudo bem, ele apenas condena o uso da forma verbal como desculpa de ineficiência. O problema é que seu pessoal usava demais o recurso para ‘estar se desculpando’ de qualquer falha da máquina pública. Só que, nesses casos, não adianta nada demitir um sujeito se os problemas ‘estarão continuando’, não é mesmo? Isso sem falar que essa “esquisitice” também significa uma grande falta do que fazer.

    *

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    Inovação – Não dá para não comentar a  revolução proposta pelo Radiohead no lançamento de In Rainbows, o mais novo disco (foto acima). Depois de várias informações desencontradas, a banda confirmou duas notícias de uma só vez no site oficial: o fim das gravações e a previsão oficial de lançamento do novo disco. Assim, a previsão oficial de lançamento do disco está para o dia 10 de Outubro. Porém, como nossos tempos digitais superam as oficialidades, a banda disponibilizou o download dos discos no site oficial, pelo preço que o internauta quiser pagar.

    Por enquanto, In Rainbows estará disponível apenas no site oficial do grupo, nos formatos Discbox e Download. Quem optar pelo primeiro poderá curtir o som em MP3, enquanto aguarda a remessa de 02 CD’s e 02 discos em vinil, com direito à livreto especial, músicas inéditas e um acervo digital de fotos da banda. O pacote completo sai por 40 libras, com frete, em preço válido para o mundo inteiro. Já os downloads são cotados pelo preço que o internauta quiser e, após os mesmos receberem confirmações dos pedidos via e-mail, serão disponiblizados próximo da data do lançamento oficial.

    Se a banda já revoluciona o rock, chegou a hora de inovar também na disseminação da música. E aí, já encomendou o seu?

    *

    CD-PLAYER: As doces melodias do violão de Elliott Smith.

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