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  • leo bueno 22:21 em Tuesday, 25 September 2007 Link Permanente | Responder  

    Fogo de palha 

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    Ontem, Mano Brown (registrado como Pedro Paulo Soares Pereira), o polêmico líder dos Racionais MC’s, teve uma aparição “travada” no programa Roda Viva. Se Brown aparentava um certo incômodo com as palavras difíceis usadas pelos entrevistadores, estes também ficaram com o c* na mão o tempo todo. Se não fossem alguns pitacos do jornalista Renato Lombardi sobre conteúdos supostamente revolucionários e os questionamentos de José Nêumanne sobre exemplos dos Racionais para os seus ouvintes, a falta de tempero do programa do Paulo Markun seria completa. Ninguém sequer encarnou o monstro elitista para provocá-lo!!

    Depois de tantas promessas dessa pauta, que até me fizeram empunhar um bloco de papel durante a entrevista, a decepção foi forte. Sem tantas alfinetadas, Brown reduziu-se aos seus clichês sobre guerra civil, luta de classes e etc. No máximo, alguns comentários sobre como é a relação entre traficantes e comunidade nas favelas. Tratando traficantes como “comerciantes”, foi fundo ao perguntar a todos sobre o porquê do dono da AmBev permanecer impune, enquanto usuários e traficantes vão presos. “São perguntas que geram outras perguntas e nós ficamos sem respostas”, disse, deixando tudo no ar. E ninguém entendeu muito bem, por sinal.

    No fim, a relação com Eduardo Suplicy, a insurreição do PCC e a Virada Cultural passaram em branco. Depois da Globo se humilhar por duas ou três palavrinhas dele, a programação aberta da TV Cultura ganhou sua preferência. Porém, a chapa branca reinou. Mesmo com uma certa inteligência, sua ignorância o deixou perdido ao citar Cuba como exemplo democrático e Lula como vítima de “seus comparsas que deram mancada”, bem como o assunto das cotas para negros nas universidades. Faltaram conflitos, debates e argumentações melhores. Se Brown tinha dificuldades de argumentação, os entrevistadores não demonstraram a qualidade desejada. Vide a constatação de que Paulo Lima, chefão da revista Trip, foi o destaque positivo.

    Em resumo, Brown não quer e também não pode ser exemplo para ninguém. O modus operandi da favela domina seus pensamentos, mesmo com sonhos de “mundo sem drogas” e tudo mais. No fim, ficou a prova em rede nacional de que não se trata de tudo isso que dizem por aí. Será o efeito contrário daquilo que a audiência esperava?

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    • Virus 15:29 em Quarta-feira, 9 Setembro 2009 Link Permanente | Responder

      Vcs são mó comédia…
      Se Brown expusesse sua opinião real sobre os assuntos citados neguinhu ia treme e, além do mais, tv aberta ainda é ignorante demais pra ouvir certas coisas e o Brown sabe disso…
      O cara é um revolucionário, o mundo inteiro um dia ainda vai saber disso, e num precisa fica criando polêmica pra agrada audiência nenhuma.
      Ouça as músicas ( poesias ) do cara e tire as conclusões sobre quem nessa historia toda é o verdadeiro ignorante.

      ” Vermes que só faz peso na Terra,tira o zóio,tira o zóio, vê se me erra…”

      Firmão Brown é Nóóóóóóóís

  • leo bueno 22:12 em Tuesday, 18 September 2007 Link Permanente | Responder  

    Delicadeza sombria 

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    O disco tinha que sair oficialmente no dia 24 de Setembro. Entretanto, os caçadores de MP3 já o descobriram com quase um mês de antecedência, solto pela web e com um jeitão totalmente diferente da Polly Jean Harvey que nós achávamos que conhecíamos. Vocais em tons mais agudos, quase sussurrados, e arranjos calcados em banjos, harpas, marcações rítmicas quase inexistentes com bateria e o mais novo amigo de Harvey: o piano. “O bom de aprender a tocar um instrumento assim, do nada, é que isso libera a sua imaginação”, disse a inglesa à revista Wire, quando comentava o processo criativo de White Chalk, seu novo álbum. Nas primeiras audições, esse frescor ao piano pode parecer desnecessário, quase como um escorregão da inglesa – principalmente para os fãs mas antigos. Entretanto, depois de inúmeras repetições pelas madrugadas, Harvey trocou a minha idéia pela dela.

    Sua capa é como uma reedição do quadro The White Girl, do pintor James Abbott McNeill Whistler e datado de 1861. Harvey aparece em trajes antigos e brancos, como um giz pronto para rabiscar suas memórias e sentimentos no quadro negro logo atrás. Porém, esse mesmo quadro negro pode ser o responsável pelo ar desolado de seus olhos. Assim, Polly Jean prefere mergulhar em sua melancolia a agredir sua fonte, revelando seus segredos em melodias tristes, carregadas de delicadezas que remetem aos tons neo-progressivos do Radiohead e aos climas etéreos do Sigur Rós, ao mesmo tempo em que suas palavras e seus batuques no piano nos trazem Cat Power e até mesmo Tori Amos. Sua nostalgia e isolamento ainda são amargos e pungentes, só que sem a urgência guitarreira de Uh Huh Her ou o sarcasmo rasgado de To Bring You My Love. Há mais delicadeza e pode-se dizer até que há mais sentimento, mesmo que o instrumental pareça simplório num primeiro momento.

    Agora a onda de Polly é olhar para dentro de si. Ela mudou suas ferramentas e o sentido de sua obra, mas manteve a direção de suas mensagens. Seus tons estão mais sombrios e intimistas, a começar por seus títulos (como na canção batizada Dear Darkness). Sua excentricidade poderia ser um belo tiro no pé, mas os fãs mais atentos perceberão que trata-se de uma convergência natural dos trabalhos dela. Em Uh Huh Her, os baixos vigorosos aliaram-se às guitarras em afinações mais graves. Agora, ela assume de vez sua delicadeza, sem vergonha de revelar sua intimidade e mantendo um compromisso kamikaze com sua arte. A indústria fonográfica poderá torcer o nariz diante dessa falta de concessões, porém os fãs irão reverenciá-la ainda mais.

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    • emi 23:25 em Terça-feira, 18 Setembro 2007 Link Permanente | Responder

      aaah white chalk conquistou mais um /o/

      eu também não gostei da nossa primeira vez, tentei outras vezes mais e ele vem se tornando, assim, como quem não quer nada, o meu queridinho.

      stories from the city, particularmente, é de se ter no som tocando toda hora. white chalk vem justamente pra momentos intimistas. desses que acompanha um martini ou um bom vinho ;]

      e eu nãããão deixaria de falar da tori que em questão de piano é covardia, né. covenhamos. o que é aquela mulher tocando precious things? surreal. tori caminha muito bem entre a insanidade e a nostalgia. ela possui uma tristeza escondida que me fascina.

    • Edson Junior Lain 16:58 em Quarta-feira, 19 Setembro 2007 Link Permanente | Responder

      Há algum tempo eu não passava por aqui. Os artigos continuam ótimos. Não sabia desse novo álbum da srta. Harvey.

      Abraço.

    • júlio delveccio 11:15 em Sexta-Feira, 21 Setembro 2007 Link Permanente | Responder

      eu ainda prefiro a onda kamikaze da pj. esse lado intimista é melhor deixar pra cat power.

    • emi 16:21 em Quinta-feira, 11 Outubro 2007 Link Permanente | Responder

      meu novo bside favorito… (don’t tell it to anybody, ok? it’s our secret)

      ;]

  • leo bueno 22:02 em Monday, 10 September 2007 Link Permanente | Responder  

    Quase-Cinema e Neo-Censura 

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    Quase-Cinema – A suburbana Linda (Sandra Bullock) acha que está pirando após a morte de Jim (Julian McMahon), seu marido. Entretanto, ela está em Premonições, um longa de roteiro confuso, cheio de idas e vindas que tentaram, mas não conseguiram imitar o estilão de Charlie Kaufman. Em um dia ela percebe que seu marido morreu, chora pacas e tudo parece normal em sua dor. No outro dia, ele reaparece e, sem entender nada, a vê abraçando-o e beijando como se fosse a última vez. Ele dá aquela olhadinha clichê para os lados, chamando o espectador para compartilhar de sua estranheza diante do fato. Nisso, o filme se perde na quase-maluquice de Linda, confundindo a todos e gastando película sem necessidade.

    Repentinamente, o diretor Mennan Yapo começa a explicar-se. A narrativa quebra seu ritmo e revela um casal em crise, com uma dona-de-casa preocupada com os iminentes chifres que seu marido lhe colocará. Só que a traição não acontece, e o que rola é uma das mortes mais estúpidas da história do cinema. Sim, ela tinha tudo para provocar as nossas lágrimas, mas os extras da edição em DVD mostram como até a Bullock sacou o humor negro da morte do personagem de McMahon no filme. Aí a história mediana se encerra sozinha, com a resignação da dona-de-casa que percebeu que não está maluca, mas sim com um par de orelhas de asno ornamentando-lhe os cornos. E é só.

    Se quiseres gastar dinheiro à toa, vá na locadora e pegue o DVD. Aí você mata a curiosidade, descobre como McMahon morre e percebe como o estúdio gastou de bobeira nessa produção.

    *

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    Neo-Censura – Enquanto querem barrar a estréia da adaptação do livro Elite da Tropa para o cinema, Alberto Dualib consegue liminares  judiciais para impedir a exibição de uma matéria jornalística sobre o escândalo Corinthians-MSI. De um lado, tratam do impedimento de uma obra artística, unilateral porém com intenso potencial questionador, enquanto no outro corner o exercício do jornalismo pleno foi barrado pelo próprio Dualib, pois ele não recebeu o repórter da TV Record para falar do caso.

    Se você pensa que vivemos num sonho democrático, é bom abrir os olhos. Uma turminha de advogados “joga o caô” de que esses conteúdos levam imagens falsas dos envolvidos ao grande público, te enganam e disfarçam a nova cara da velha Censura. O que preferes: liberdade de expressão e informação ou novas roupas para velhos monstros?

    *

    CD-PLAYER: Do You Believe In Rapture? e Turquoise Boy - Sonic Youth mandando ver em baladinhas para os corações experimentais. Esse é o som do retorno!

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