
De tanto falarem sobre Babel, a sua história ficou previsível. Esse foi o sentimento que percebi enquanto finalmente o assistia no DVD, já que os cinemas daqui (mais uma vez) não colaboraram. Aliás, o estilo de Iñárritu, com sua narrativa não-linear e cruzamento de tramas internas, também era uma agradável previsão. Só que, depois de diversos prêmios e muito falatório, a verdade é que criei expectativas demais diante do filme.
O diretor mexicano declarou que esse é o desfecho de sua “trilogia da morte”. Se em Amores Brutos (2000) os personagens saíam do prazer ao sofrimento e, em 21 Gramas (2003), as feridas permaneciam abertas, Babel sinaliza uma ascendência nesse gráfico. O declive de 2000 e o zero-a-zero de 2003 ganham cores de esperança em 2006, com pessoas que sinalizam um pré-interesse em curarem suas feridas – individual ou coletivamente. E é nessa trajetória ascendente que a trama esbarra em ares de dramalhão noveleiro, com contradições que mostram clichês da narrativa ao mesmo tempo em que esses chavões nos fazem refletir.
O vai-e-volta da narrativa cruza as histórias de dois irmãos marroquinos que atiram acidentalmente num ônibus de turismo e atingem Susan (Cate Blanchett), esposa de Richard (Brad Pitt). Então o velho fatalismo do roteirista Guillermo Arriaga** mostra como é necessário o acontecimento de uma bela cagada para sacudir e posteriormente unir os personagens, mesmo sem laços explícitos. Já os outros núcleos da narrativa sentem as vibrações do caos no Marrocos: a jovem surda-muda Chieko (Rinko Kikuchi) extravasa suas dores ao seu modo, enquanto a empregada mexicana Amelia (Adriana Barraza) só percebe que ‘arrumou sarna para se coçar’ depois que o sobrinho Santiago (Gael García Bernál) apronta na fronteira. Todos sentem as consequências do estopim marroquino, como a tensão causada por uma gota caída na superfície d’água, e recomeçam suas vidas – exceto os coitados dos camponeses do Marrocos.
No resumo, não é um filme genial como apontavam: soa como um meio termo entre a ação do primeiro com a introspecção do segundo. Entretanto, é uma peça obrigatória para quem conhece a filmografia de Iñárritu, pois encerra um argumento desenvolvido por ele ao longo das três tramas: como apenas a violência é capaz de chocar nossa zona de conforto e ressuscitar nossa condição humana.
*Publicado na Folha Obara, editada e conduzida pelo camarada Gustavo Abdel.
**O roteirista Guillermo Arriaga estará na Festa Literária Internacional de Paraty, falando sobre seu terceiro romance e sobre a repercussão dos seus trabalhos no cinema. Leia mais aqui.
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Bruna, te amo! - (3 x 365) + 90 = 1095 + 90 = 1185 dias ao teu lado.
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CD-PLAYER: A versão inglesa de Era Vulgaris, o novíssimo do Queens Of The Stone Age. Além das aguardadas faixas normais do lançamento, há duas faixas bônus. Enquanto alguns se matam com arquivos corrompidos pelo Orkut, com baixa qualidade ou então com uma bandinha cover imitando os caras, um inglezinho soltou o disco de verdade no Soulseek.
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Eu ainda quero muito ver esse filme.
E há quanto tempo eu não passava por aqui, puxa.