
O tempo mudou Leonardo Di Caprio. Depois de arrebatar corações em Romeu e Julieta (1996), seus olhos claros e feições delicadas renderam outros convites. No ano seguinte, o diretor James Cameron chamou-o para interpretar Jack, o viajante pobretão a bordo do navio Titanic. O longa alavancou sua carreira, já que foi o mais premiado dos últimos tempos. Entretanto, depois de toda essa repercussão, Di Caprio ainda não somou a estatueta de Melhor Ator para a coleção de onze Oscar’s do longa. Para a aura de vaidade hollywoodiana, esse jejum estava entalado em sua garganta.
Nove anos se foram. Além de namorar uma brasileira, ele somou experiências e fracassos no cinema. Afinal, em todas as filmagens era a mesma cara, que rendia suspiros das mulheres e blasfêmias dos homens. Indiretamente, isso rendeu comentários nos bastidores de que, por mais indicações que tivesse, o ator nunca cativaria os jurados. Assim, ele surgiu no Oscar desse ano com duas apostas sensacionais – já nas videolocadoras.
A primeira aposta foi no movimentado Diamantes de Sangue. O filme mostra a entrada da jornalista Maddy Bowen (Jennifer Conelly) e do traficante de pedras preciosas Danny Archer (Di Caprio) em Serra Leoa, no meio da guerra civil. Lá reside o pescador Solomon Wandy (Djimon Hounson), cuja família foi separada pelos revolucionários e seu filho aliciado por eles. Wandy quer seu filho de volta, mas só ganhará a ajuda de Archer se lhe contar onde está o diamante que conseguiu esconder dos guerrilheiros. Já Bowen conhece-os e vislumbra nessa história a melhor de todas as suas reportagens já publicadas.
Em Os Infiltrados, a outra aposta, fala sobre um braço da máfia irlandesa em Boston, liderado por Frank Costello (Jack Nicholson). Ele nem desconfia de que William Costigan (Di Caprio), aquele garotinho franzino que ele tanto gostava, havia se tornado um policial com a missão de espioná-lo. Já o agente Colin Sullivan (Matt Damon) é seu informante na polícia local. Cada um com sua missão e interesses, Costigan e Sullivan são como ratos pela casa: um sabota o outro. Suas ações se cruzam durante o longa e os dois sentem a amarga contradição entre os interesses pessoais e as missões de trabalho.
Mesmo sem premiações, Di Caprio consegue conciliar a forte atuação com uma estampa convincente. Com rugas e olheiras na cara, ele passa uma impressão mais real da força de seus personagens, resultado também de seu aprimoramento como ator. Leo dá peso aos seus personagens que, mesmo envolvidos na ‘barra pesada’, têm seus momentos de reflexão e até de mudança de rumo. Isso prova o amadurecimento interno e externo do ator, mesmo com vários prêmios sempre batendo na trave.
Mas qual é o reconhecimento mais importante: do público ou da crítica?
*Publicado na Folha Obara, editada e conduzida pelo camarada Gustavo Abdel.
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CD-PLAYER: Don’t Take Your Guns To Town – Johnny Cash
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