Pegando gosto

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Numa primeira impressão, o treinamento para operação de telemarketing em que me meti era algo absurdo. Nas primeiras duas semanas, todas aquelas filas de computadores, o tempo cronometrado, as frases e procedimentos a seguir pintavam um quadro repleto de malucos. Depois, com uma pouco mais de familiaridade e com um intenso acompanhamento da empresa contratante*, já dá para dizer que, como os cariocas, me sinto ‘amarradão’ no novo emprego.

Rio ao lembrar que, lá nos tempos de faculdade e até mesmo de colegial, os teleoperadores agiam de outra forma. Tinham a fama de pentelhos, que ligavam nos dias e horários mais inoportunos para oferecerem produtos que não iríamos comprar nem desejávamos conhecer. Mais tarde, com o tempo sarcástico a rir da minha pessoa, me vejo do outro lado da moeda. A sorte é que a prática de ligar para os clientes está praticamente abolida, o que alivia a barra de atender bem e ainda vender algo – vendas que, logicamente, dão um upgrade no salário.

O horário de treinamento é das 23h de um dia às 07 da matina do outro. Sim, é puxado pacas; porém, é o único horário com computadores vagos, destinados ao desvirginamento do novo pessoal. Futuramente, o trabalho será da tarde para a noite e o relógio biológico voltará ao normal. Mas, por enquanto, essa é a música com a qual dançamos.

E não é que estou gostando?

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*Atento Brasil: Empresa de callcenter ligada ao Grupo Telefónica presente em quinze países. Dentre os diversos clientes, atende os setores 102, 103, Speedy e Tv Digital ligados à gama de serviços oferecida pela Telefónica no estado de São Paulo.

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CD-PLAYER: O Velho e o Moço (Los Hermanos) foi a última música que ouvi dos barbados antes de pegar no sono de vez. Guitarras calminhas, pássaros ao fundo, compassos suaves, essas coisas.

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